Um mundo de expressões
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sexta-feira, 04 de outubro de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Qual a frase, ou diálogo, mais marcante da história do cinema? A questão, complicada, talvez já tenha alimentado incansáveis tertúlias de cinéfilos ao longo dos anos sem que se chegasse a uma preferência comum. O livro ''Ouvir Estrelas'' (Garamond), de Mariza Gualano, chega esta semana às prateleiras para contribuir com o debate.
Mariza compilou centenas de frases ouvidas no escurinho das salas incluindo aquelas já consagradas que, para muita gente, tornaram-se bordões inesquecíveis. Lembram-se de ''Toque, Sam, As Times Goes By'', na voz de Ingrid Bergman no clássico ''Casablanca''? Ou ainda ''Hasta la vista, baby'', proferida por Arnold Schwarzenegger em ''O Exterminador do Futuro II''?
A coletânea agrupa as frases em blocos temáticos em categorias como ''sexo'', ''poder'', ''política'', etc. O formato é de dicionário, organizado em ordem alfabética. As citações são acompanhadas dos nomes dos filmes em que apareceram e dos atores que as proclamaram na tela. Humor, ironia, romantismo, drama e filosofia de vida espalham-se pelas páginas em tiradas espirituosas.
O tema casamento rendeu farto acervo. Veja alguns exemplos:
''Case-se comigo, e eu jamais olharei para nenhum outro cavalo'' (Groucho Marx para Margareth Dumont em ''Um Dia nas Corridas'').
''Pela autoridade a mim conferida pelo Kaiser Whilhem, eu os declaro marido mulher. Prossiga com a execução'' (Capitão alemão para Katharine Hepburn e Humphrey Bogart em ''Uma Aventura na África'').
''Casamento é uma coisa engraçada. É como o exército: todos reclamam, mas se alistam de novo'' (Jack Lemmon, em ''Uma Loira por um Milhão'').
''Maridos deviam ser como lenços de papel: macios, fortes e descartáveis'' (Madeline Kahn em ''Os Sete Suspeitos'')
A antologia destaca também frases que se projetaram num filme e acabaram sendo apropriadas e reverenciadas por outros diretores e roteiristas de gerações seguintes. É o caso da célebre e sarcástica ''Eu nunca pertenceria a um clube que me aceitasse como sócio'', que Woody Allen pinçou de Groucho Marx para seu longa ''Noivo Neurótico, Noiva Nervosa''.
É o caso ainda da emblemática ''Quando a lenda é mais interessante do que a realidade, publica-se a lenda'', registrada em ''O Homem que Matou o Facínora'' de John Ford e posteriormente emprestada por Jean Luc Godard para ''O Elogio do Amor''. A autora garimpou também a pergunta ''Você está decente?'', dirigida a Rita Hayworth em sua memorável primeira aparição em ''Gilda'' e reiterada recentemente para Nicole Kidman em ''Moulin Rouge'' (atração de hoje no canal pago Telecine Premium).
Mariza lembra de uma pequisa realizada pelo The Guinnes Book of Movie Facts & Feats que apontou a apresentação do famoso agente britânico 007, ''Bond, James Bond'', como a frase mais recorrente nas telas. ''Embora o período levantado tenha sido de 1983 a 1974, acredito que o resultado continue valendo'' anota ela.
No texto de introdução, Mariza exalta o poder de expressão da sétima arte concordando com o diretor e roteirista Joseph Manckiewics (de ''A Malvada'' e ''A Condessa Descalça'') para quem ''o cinema mudo era terrrivelmente chato''. ''A união da imagem e da palavra numa tela iluminada é a alquimia irresistível que produziu todo o fascínio do cinema e fez dele, talvez, o mais poderoso veículo de idéias, sentimentos e sentidos ou, muitas vezes, de nonsense que a humanidade criou'' salienta. Uma fração dessa magia ela conseguiu transportar para o livro.
Serviço:
''Ouvir Estrelas As Melhores Frases e Diálogos do Cinema''. Autora: Mariza Gualano. Editora Garamond (tel. 21/ 2224-9088).


