Confesse: você tem aquela sensação, em pelo menos uma entre duas vezes que vai ao cinema, que já viu aquilo que está na tela. O lugar-comum nos filmes é uma instituição tão velha quanto o cinema e alguns, de tão usados, parecem mais velhos ainda. Você não viu recentemente um desses?
Um detetive só consegue resolver um caso quando é suspenso da polícia, devolve o distintivo e entrega a arma. Um único fósforo ilumina um cômodo do tamanho de um estádio. Todas as camas usam lençóis especiais que vão até os ombros da mocinha e até a cintura dos rapazes. Qualquer fechadura é aberta em segundos por um cartão de crédito. Nos filmes de terror, a garota estúpida sempre tem de sair zanzando pelos corredores escuros.
Bem (antes que a lista fique interminável), todo mundo já entendeu. Então, vamos a alguns outros lugares-comuns, temáticos. É só ler e dizer o nome do filme em que viu. O pior ganha.
•Aviões - Quando o combustível do avião acaba, o herói piloto batuca desesperado no marcador do painel. Tom Cruise fez isso no seu caríssimo F-16 em ‘‘Top Gun’’, tratando-o como um fusca 66.
Animais - Cachorros são imortais.
Bebidas - Quando o herói entra num bar, quase sempre briga. E a briga é sob um cartaz anunciando a cerveja ‘‘Bud’’ e só piora se há música country ao fundo. Uma xícara de café ou um copo de água fria no rosto acaba com qualquer bebedeira. Quando homens bebem uísque, sempre é de um trago. Machões bebem e fazem uma rápida careta, mostrando os dentes cerrados. Os nada machões bebem, sufocam e têm ataque de tosse.
Bombas - Vilões, por mais geniais que sejam, constróem bombas que demoram um tempão para explodir, dando oportunidades aos heróis para desmontá-las. Os fios têm cores diferentes, para o herói saber exatamente qual cortar. As explosões sempre acontecem em câmera lenta. Só nos filmes acontece essa rotina: uma bomba destrói um prédio, como em ‘‘Máquina Mortífera 3’’.
Café da manhã - Todo mundo chega à mesa 30 segundos antes de ter de sair. Só dá tempo de um gole no leite ou no café e comer um pedaço de torrada.
Carros - O(a) motorista conversa e olha para o(a) passageiro(a) o tempo todo, sem olhar para a rua, trocar de marcha ou sinalizar. Os pedestres do cinema têm reflexos maravilhosos e escapam dos carros nas perseguições de rua. Quando um carro cai num abismo, quase sempre explode antes de chegar ao chão. O carro nunca pega da primeira vez quando se foge do monstro ou do bandido. Dificilmente alguém fica sem gasolina nas longas perseguições.
Casa - As pessoas não saem das casas, mesmo quando lá há um perigo óbvio (fantasmas, serial killers). Apartamentos em Paris sempre têm vista para a Torre Eiffel. Você nunca acende a luz da cozinha: vai até a geladeira e abre a porta.
Computadores - Nunca mostram um cursor. Pode-se ter acesso a qualquer informação, bastando digitar: ‘‘acessar todos os arquivos secretos’’. Um hacker pode invadir o mais poderoso computador do mundo e adivinhar a senha secreta em duas tentativas.
Conversa - Quando duas pessoas conversam, uma fica olhando pela janela, de costas para a outra. Quando algo importante é dito, ela se vira.
Corpo - Só vilões ou personagens ridículos tossem, espirram, e nunca ninguém vomita no tapete. Os camponeses medievais têm dentes perfeitos como em ‘‘Coração Valente’’.
Crianças - Uma criança sabe mais que um adulto. Nenhuma criança morre, mesmo eletrocutada por uma cerca de alta voltagem que mataria um tiranossauro (‘‘Parque dos Dinossauros’’).
Crime - Os detetives são divorciados, amargos, meio loucos, alcoólatras. O detetive de vida ‘‘normal’’ é sempre incapaz ou molenga. Um homem atirando em 20 homens tem mais chance de matá-los do que 20 atirando em um.
Elevador - Se o herói ou o vilão pega um elevador, o vilão ou o herói chega antes pela escada, mesmo que seja um prédio de 20 andares. Quando alguém está perseguindo alguém, ninguém tenta pôr a mão para impedir a porta de fechar. Vai para o botão e fica apertando.
Línguas - Estrangeiros, sobretudo latinos, falam inglês perfeito, sem erros, mas nunca conseguem falar ‘‘Sir’’ ou ‘‘Thank you’’. É sempre ‘‘Señor’’ ou ‘‘Gracias’’. E quando sozinhos, os estrangeiros preferem falar inglês uns com os outros.
Morte - Uma tosse quase sempre é sintoma de doença terminal. Quanto mais planos tiver um personagem, mais provável é sua morte. As últimas palavras de um moribundo sempre são coerentes e significativas. E quando há um corpo no chão, a primeira pessoa ajoelha-se e logo vira a cabeça, gritando: ‘‘Peça socorro!’’ mas a segunda, não se mexe. Apenas grita.
Natureza - Trovão e relâmpago acontecem ao mesmo tempo. As tempestades são instantâneas: há um trovão e a chuva cai. Algo dramático ou terrível sempre acontece quando chove.
Pesadelos - Quando tem um pesadelo, o personagem (homem ou mulher), senta-se de repente, tenso na cama. Nunca fica deitado, como acontece na realidade.
Sexo - Se você é mulher, após uma tórrida transa, deve puxar as cobertas até o pescoço. Todas as mulheres gemem durante o sexo, mas nenhuma sua. Dois estranhos totais, na cama, sempre chegam a um orgasmo mútuo e simultâneo, à primeira tentativa.

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