Foi no dia 12 de abril de 1925. Uma tarde ensolarada, típica dos outonos quentes e secos do Oeste paranaense. Os quase 3 mil revolucionários militantes da Coluna Prestes, o mais conhecido movimento revolucionário da história brasileira, tentavam fugir do contingente de 10 mil soldados do exército federal. A perseguição começou depois de um confronto em Foz do Iguaçu. Quando chegaram à região de Porto Mendes, atual município de Santa Helena e distante 110 quilômetros de Foz, estavam quase um dia à frente do pelotão enviado pelo presidente Arthur Bernardes. Depois de cruzarem o Rio São Francisco Falso, o comandante Luiz Carlos Prestes teve a idéia de queimar a ponte, prejudicando o avanço das tropas. Enquanto a armação de madeira crepitava juntamente com a vegetação rasteira das margens, o grupo rebelde dava continuidade à marcha que percorreu 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil.
Este fato histórico, entre os vários relatos que marcaram as andanças do contingente liderado pelo ‘‘Cavaleiro da Esperança’’, ganhou um monumento de 25 metros projetado pelo arquiteto e ‘‘comuna’’ Oscar Niemeyer. O marco, que deverá ser inaugurado em janeiro, está encrustrado na margem esquerda da Rodovia Coluna Prestes entre Santa Helena e Diamante do Oeste, ao lado da nova Ponte Queimada. Os alicerces da antiga via destruída pelas chamas ainda repousam sobre as águas do rio, próximos à nova construção em concreto armado.
A altura do monolito é referência direta ao trecho percorrido pelo grupo de militares dissidentes surgido na década de 20, durante o chamado Tenentismo. Na época, a população não compactuava com o Governo Federal, provocando assim a eclosão de duas marchas distintas: a Coluna Paulista, liderada pelo general Izidoro Dias Lopes, e a Divisão Rio Grande, comandada pelo então jovem capitão Prestes. A união de ambos ocorreu no Oeste do Estado, durante um acampamento em Porto Mendes.
Junto ao monumento, uma placa descreve o percurso da marcha na região (Foz, Porto Mendes, Serra Nova e San Martin no Paraguai) e mantém um texto que homenageia ‘‘os revolucionários que semearam a esperança de construir um Brasil onde os ideais liberais de representação política e Justiça conquistassem o devido lugar’’.
A obra foi idealizada pela Secretaria da Educação de Santa Helena, que também montou a exposição itinerante ‘‘Coluna Prestes - A Grande Marcha’’. A mostra contém fotos, textos históricos e até mesmo uma coleção de armas da época em que o movimento rebelde combateu as tropas do governo. Também constam referências sobre o fim da longa marcha que culminou no autoexílio dos rebeldes na Bolívia, em 1927.
Além de imagens dos revolucionários, existem registros do período pós-movimento. Entre eles protestos contra a prisão de Prestes (1935) em países vizinhos e até mesmo na Europa, como a foto produzida durante o Comício em Oviedo (Espanha) em 1936. Estão incluídos também fotos do líder com a mulher Olga Benário e filhos, e as últimas imagens de Prestes pouco antes de morrer em março de 1990.

mockup