ReproduçãoParalamas do Sucesso: novo disco tem música de Chico Science com participação de Jorge MautnerÉ a primeira vez que um álbum dos Paralamas do Sucesso é lançado com 250 mil cópias vendidas (disco de platina). É a primeira vez que fazem um show acústico para lançar um álbum. É a primeira vez que a banda inclui em disco uma música de autoria de Chico Science. E é a primeira vez que conseguem ‘‘casar bem experimentação e vocação pop’’, nas palavras de Herbert Vianna. ‘‘Conseguimos o melhor dos dois aspectos dentro de nossas limitações’’, disse Vianna.
Assim é ‘‘Hey Na Na’’, 11º álbum dos Paralamas do Sucesso, que chega às lojas da América do Sul na segunda-feira, de caráter pop com ska, reggae, rock (leia-se guitarras à frente) e sonoridades digitais - estas frutos da produção de Chico Neves, a quem Vianna não cansou de tecer elogios. ‘‘Em alguns casos, fica claro que, se as músicas fossem produzidas pelos Paralamas, seriam um esqueleto das canções. O algo a mais é obra de Chico Neves’’, disse Vianna, comendo pipoca, em entrevista coletiva na casa noturna Rock’n’Rio Cafe, no Rio de Janeiro. ‘‘Chico se adaptou muito bem à nossa forma de trabalho’’.
Recado dado a Phil Manzanera (ex-guitarrista do Roxy Music), que produziu ‘‘Severino’’ (álbum da banda que menos vendeu, de 94). ‘‘O trabalho com ele era lento, e o engenheiro de som foi o que deu mais dor de cabeça nestes 16 anos. ‘Severino’ é o disco que lamentamos não termos tido atmosfera para o seu desenvolvimento’’.
As incursões eletrônicas (sutis) de tecno e drum’n’bass em ‘‘Hey Na Na’’ é o ‘‘algo a mais’’ a que se refere Vianna sobre o trabalho de Chico Neves. ‘‘O que eu entendo de drum’n’bass é Sly & Robbie (os melhores baixista e baterista de reggae) e Bi Ribeiro e João Barone (baixista e baterista dos Paralamas)’’, afirmou Vianna. ‘‘Desculpe-me, sou velho, limitado e não tenho nenhum interesse em música eletrônica. O que não quer dizer que não queiramos fazer experimentações’’.
Sobre as inovações desse disco, Barone cita Paul McCartney: ‘‘Estamos experimentando muito para o leiteiro cantar fácil’’. ‘‘Scream Poetry’’ é a música composta por Chico Science que está no álbum, em português - e com participação nos vocais e violinos do ‘‘maldito’’ Jorge Mautner - apesar de seu autor ter se manifestado pela tradução para o inglês pelos Paralamas. ‘‘A letra em português é tão linda, que não vi nenhum sentido em traduzi-la. Com a participação de Mautner, fecha-se o conceito de Science’’, afirmou Vianna.
Marisa Monte também é convidada no reggae ‘‘O Amor Não Sabe Esperar’’, que tem as características para ser a próxima música a entrar na programação das rádios pela sonoridade ultra pop.
‘‘Ela Disse Adeus’’, a primeira do disco a ser executada nas emissoras, está sendo, segundo Vianna, a mais pedida nas principais capitais do país. Nesse disco, a presença da guitarra de Herbert Vianna está mais em evidência, o que, segundo ele, se deve ao fato de, nos discos anteriores recentes, seu ‘‘instrumento preferido’’ ter ficado ‘‘mais atrás’’, dada a ênfase aos ritmos latinos. ‘‘Não sou nenhum Edgar Scandurra (Ira!), mas tenho me dedicado mais à guitarra nos últimos anos’’. E isso estava entre os dois objetivos que o vocalista queria para esse disco: ‘‘Voltar a fazer canções rápidas e voltar a ter inflexões de rock’’. ‘‘Tiramos um sotaque diferente nesse álbum’’. Cinco das músicas de ‘Hey Na Na’’ ganham versões em espanhol, que estarão nos discos para o mercado hispânico: ‘‘O Amor Não Sabe Esperar’’, ‘‘Ela Disse Adeus’’, ‘Santorini Blues’’, ‘‘Um Dia em Provença’’ e ‘‘Depois da Queda, o Coice’’. Curiosamente, a versão de Vianna para ‘‘Viernes 3AM’’, do argentino Charly Garcia, sairá, como no Brasil, em português. É no refrão de ‘‘Depois da Queda, o Coice’’ que está o nome do disco. ‘‘É uma música que tem a fama como tema e possui esse refrão. É como o ‘Doo Doo Doo Da Da Da’ (do Police). Também foi uma incapacidade de criar outro nome’’.
Como na capa de ‘‘Severino’’ (que utilizou gravura do artista plástico Arthur Bispo do Rosário), a de ‘Hey Na Na’’ também é de outro artista plástico, o carioca Jorge Barrão. O estranho objeto é a cabeça de um boneco. Outras obras de Barrão (também bonecos) estão no encarte do CD. O show acústico que se seguiu à entrevista foi uma amostra do álbum unplugged que a banda deve lançar no final do ano. ‘‘Já vínhamos utilizando sets acústicos no meio de nossas apresentações desde o ano passado’’, disse Vianna.
Fora dos palcos, o vocalista participará, com a banda, de um filme da produtora carioca Conspiração Filmes - e dirigido por Andrucha - sobre o rock no Brasil. ‘‘Está sendo discutido agora e, por isso, não posso revelar nada ainda’’ - concluiu Vianna.

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