Campo Mourão - Parem as máquinas! Desde ontem não se fala outra coisa entre os funcionários da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo) que não seja a 22 edição do Festicam, o festival de calouros que todo ano reúne trabalhadores de diversas cidades do Paraná e de Santa Catarina. Desta vez são 36 músicas inscritas por 46 calouros. A final, com 18 músicas, será amanhã, após as eliminatórias de ontem e hoje.
Entre os participantes, o caminhoneiro Camilo Vital da Silva, 55 anos, é sempre destaque. Há 23 anos na cooperativa, ele participou de todos os festivais. Este ano, vai interpretar ''Sofro e Choro'', de Rick e Renner. ''Não canto bem, mas sou o mais aplaudido'', conta Camilo. Ele atribui esse fenômeno ao seu carisma. ''A turma gosta de mim''. Camilo nunca venceu o festival, mas se orgulha por ir à final quase todos os anos.
''Nem me lembro qual foi a última fez que não passei das eliminatórias'', diz, sem falsa modéstia. Apesar de não se considerar um ''cantor nato'', Camilo se empolga com o festival e já chegou a compor cinco músicas próprias. Todas elas narram situações que viveu como motorista. A sua preferida - ''Destino de caminhoneiro'' -, conta o assalto a mão armada que ele sofreu entre Iretama e Pitanga, há 15 anos.
Se o máximo que Camilo conseguiu no Festicam foi um ''troféu consolação'' pela participação assídua, outros funcionários tiveram mais sorte e até partiram para carreiras profissionais. É o caso de Jonas Oliveira dos Santos, 32, o ''Antônio Marcos'' da dupla Antônio Marcos e Fábio. Ele participou de quatro edições do Festicam. A primeira, aos 16 anos, quando ainda era office-boy da cooperativa. ''Foi ali que tudo começou'', conta.
Há cinco anos, Antônio Marcos vive exclusivamente da música. A dupla está preparando o segundo CD, que sai em dois meses. O primeiro tem cinco composições próprias. No currículo da dupla, o orgulho de ter participado no ano passado de uma temporada de três meses na Suécia. ''Cantamos até num navio que ia para a Finlândia'', revela Antônio Marcos. A dupla já tem convite para voltar à Europa no ano que vem.
Os participantes do Festivam também viajam para participar do evento. O atendente João Carlos Rici, por exemplo, terá que percorrer 500 quilômetros entre Aberlardo Luz (SC) e Campo Mourão para interpretar ''Palavras'', de Chitãozinho e Xororó. A viagem, de ônibus, leva o dia todo, com direito a baldeação em Cascavel. Segundo a organização do festival, os 46 calouros vêm de 10 municípios diferentes. Tudo em nome da música.

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