Popularizada pela obra do filósofo Hegel, a definição de ''Zeitgeist'' (que significa, em alemão, ''espírito do tempo'') é como a de um sopro fantasmagórico, um vendaval que condensa os conflitos e questionamentos de uma certa geração de pensadores. No final do séc. XIX e início do séc. XX, a humanidade, agora munida do conhecimento científico, tentava se redescobrir (e se 'iluminar') através da análise racional da sociedade e do indivíduo, separando e estudando - de maneira fundamentalmente cartesiana - todas as coisas, inclusive o seu próprio comportamento.

Em meio a este panorama científico progressista, o filme ''Um Método Perigoso'' - estreia desta semana na programação do Cine Com-Tour/UEL - ilustra uma extraordinária história real, que envolve uma das mais importantes querelas na história da psicologia. De um lado, o jovem e promissor Carl Gustav Jung (Michael Fassbender); de outro, o renomado Sigmund Freud (Viggo Mortensen), pai da psicanálise e responsável por fundamentar os princípios de uma nova maneira em enxergar a psique humana. Servindo como contraponto ao conflito ideológico que começa, gradualmente, a surgir entre mestre e discípulo, conhecemos a bela e perturbada Sabina Spielrein (Keira Knightley).

Considerada ''sem salvação'' pela sua família, Sabina é internada na clínica de Jung para um tratamento intensivo de suas tendências suicidas, que também envolvem um quadro complicado de esquizofrenia. Observando as condições da paciente, Jung percebe que ela possui as condições ideais para ele começar a experimentar o processo de ''cura pela fala''. O método, aplicado na época de forma inédita, tem o objetivo de fazer a própria paciente alcançar - através de uma profunda reflexão sobre seus traumas - uma catarse libertadora, que abre caminho para a cura da condição maníaco-depressiva.

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