Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro ligado à Velha Guarda da Portela, João Baptista Vargens preparava uma monografia sobre Candeia para a Funarte quando descobriu, gravada em fita magnética, uma melodia inédita assoviada pelo compositor. Baptista resolveu então procurar Luiz Carlos da Vila, que homenageou Candeia no samba ‘‘O Sonho Acabou’’.
Luiz Carlos ouviu a música desconhecida e as referências acumuladas em anos de admiração resultaram, em minutos, numa letra. ‘‘A Luz do Vencedor’’, parceria póstuma, abre o disco homônimo gravado por Luiz Carlos da Vila em homenagem a Candeia.
Lançado pelo CPC-Umes, o CD contou com direção musical do violonista Cláudio Jorge. O encontro de sambistas de naipe rendeu um álbum recheado de grandes sambas, boas interpretações e músicos como o flautista Camunguelo e o percussionista Esguleba.
O projeto roubou as atenções de Luiz Carlos da Vila, que pretendia lançar um disco com músicas próprias. Mas a homenagem falou mais alto e a idéia tomou corpo. ‘‘Este é um trabalho que vai ser bom não só para nós, que admiramos sua obra, mas também para quem não a conhece’’, comenta Luiz Carlos da Vila em entrevista à Folha2.
Não é para menos. Candeia nasceu em plena Portela e lutou a vida toda para que o samba não sofresse transformações devido a esquemas comerciais. Quando suspeitou que em sua escola a espontaneidade estava em perigo, debandou, criando o Grêmio Recreativo de Arte Negra Escola de Samba Quilombo, em Acari. Lá, Candeia se destacou também como líder comunitário até morrer aos 43 anos, em 1978.
‘‘A Luz do Vencedor’’ traz clássicos como ‘‘Minhas Madrugadas’’, parceria com Paulinho da Viola em clima de descontração, bem ao gosto dos sambas ocasionais realizados no fundo da Casa de Candeia. As parcerias do compositor se multiplicam com ‘‘Amor Não É Brinquedo’’, feita com Martinho da Vila; ‘‘Não Tem Veneno’’, com Wilson Moreira; ‘‘Vem Amenizar’’, com Waldir 59 e ‘‘Ouro, Desça do seu Trono’’, com o lendário Paulo da Portela.
‘‘Candeia precisa ser colocado no mesmo patamar que Cartola, por exemplo, pois era tido como sambista completo porque sabia compor em diversos estilos, fazia tudo muito bem-feito’’, ressalta Luiz Carlos. O disco ganha conteúdo também pelo instrumental de alto nível, comandado pelos violões de Cláudio Jorge e Carlinhos.
Ao trocar o projeto pessoal pela homenagem, Luiz Carlos da Vila resgatou um samba compromissado com suas raízes, e de caráter histórico e comunitário. A interpretação personalizada de Luiz Carlos surge como boa alternativa para a falta de criatividade reinante na diluição comercial do samba. O álbum tem distribuição nacional pela Eldorado.

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