A história da viola no século XX foi dividida em duas partes: antes e depois do americano Donald McInnes. McInnes revigorou a viola, apesar de iniciar seus estudos tarde para um instrumento clássico, aos nove anos. Durante a sua longa carreira, o discípulo de William Primrose, conseguiu superar o mestre. Mas sua maior virtude foi popularizar o instrumento nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. Agora McInnes espera ajudar o Brasil a seguir o mesmo rumo.
No Brasil, as crianças optam pelo violino e não pela viola. Isso acontece nos Estados Unidos também?
Isso acontece em várias partes do mundo. Nos Estados Unidos era a mesma coisa há algumas décadas. O violino é um instrumento popular em qualquer lugar do mundo, já a viola não. Eu iniciei meus estudos com nove anos, com o melhor instrumentista do período, William Primrose. Na sua época ele era o único. Hoje temos grandes músicos e pelo menos seis ou sete são considerados tão bons ou melhores do que Primrose. Eu sempre participo de oficinas como está aqui de Curitiba. Anualmente sinto crescer o número de estudantes.
Mas os números continuam pequenos?
É verdade, no Brasil eu posso ver que o interesse está apenas começando. Os brasileiros precisam de um ou dois excelentes instrumentistas para despertar a cobiça da comunidade pela viola. Gente para exercer o mesmo papel do Alex Klein, que está ajudando a popularizar o oboé. Hoje, Klein é um dos maiores oboeistas do mundo.
Para ser um craque na viola um estudante precisa dedicar-se quantas horas?
Diariamente cinco horas.
Até hoje eu pensava que a viola era relegada a um segundo plano pelos compositores. Mas descobri muitas peças de Bach, Beethoven, Bartok, Bizet, Chopin, Handel...
Os compositores clássicos escreveram muito para viola. Hoje temos novas peças. Algumas delas foram escritas para mim. Quando um músico populariza um instrumento os compositores se sentem encorajados a escrever. Eu fiz várias ‘‘worlds premieres’’ de famosos como William Schuman, Vincent Persichetti, William Bergsme, Robert Suderberg e Paul Tuffs.
Você tocou com os maiores instrumentistas do mundo...
Toquei com os melhores. Com o celista Yo-Yo Ma várias vezes. No ano passado gravei um disco com ele, uma composição para cello e viola do maestro John Williams (famoso pelas trilhas sonoras para os filmes de Steve Spielberg como E.T., Tubarão, Indiana Jones e Star Wars).
E gravações?
Tenho vários trabalhos solos e com orquestras como a New York Philarmonic, Boston Sumphony, Orchestra Nationale de France, Toronto Symphony, entre outras. Também gravei com a Camerata Pacífic Chamber Music Ensemble, que tem nove integrantes.
Esta é a primeira vez que você vem ao Brasil?
Sim. Essa é a primeira vez que visito a América do Sul! Estou adorando. Fico em Curitiba até sábado. Antes de voltar para os Estados Unidos vou conhecer as Cataratas do Iguaçu. Depois viajo para São Paulo e pego o avião para Miami. Logo em seguida vou para Saint Parks, na Ilha de São Bartolomeu, no Caribé, onde toco em outro festival.
O que você tocará hoje?
Tocarei um concerto de Johann Christian Back, filho de John Sebastian Bach. Uma peça muito bonita recuperada no século XIX por um compositor francês.

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