Curitiba - Festa. Este é o clima que o carioca Robertinho Silva imprimiu em suas aulas de bateria e percussão dadas dentro da programação da 10ª Oficina de Música Popular Brasileira que terminou ontem em Curitiba. Com 61 anos de vida e 30 anos de dedicação à música, Silva carrega uma rica vivência profissional.
Nascido com a música na alma, Robertinho Silva conta que começou o contato com o som da percussão de uma maneira intuitiva. Aos cinco anos de idade, ainda um garoto, escolheu grãos de milho para encher uma latinha de fermento. Nascia assim um instrumento musical que ajudaria a desenvolver o talento de quem um dia viria a ser mestre. Na verdade, Robertinho tem fascínio por tudo que enchia seus ouvidos de sonoridades mais estranhas. ‘‘Eu era criança e corria pelas ruas arrastando os tamancos de madeira para conseguir novos sons. Minha mãe sempre implicava porque eu gastava demais meus calçados’’.
Esta naturalidade é uma das fórmulas para se chegar ao som e uma das exigências do professor com seus alunos. Ele apresenta a eles muitos instrumentos improvisados. Na descoberta da musicalidade vale tudo. Caixotes, chocalhos, moringas, tamancos de madeira, pandeiro, tamborim, kaxixi (espécie de chocalho retirado do berimbau), agogô e reco-reco. ‘‘Num caixote de madeira, posso tocar desde blues até fandango’’, conta o professor deixando clara a sua versatilidade. -
Com a utilização de objetos que não são instrumentos musicais, Silva mostra também que, para os apaixonados por percussão, a busca da sonoridade não requer necessariamente um gasto de dinheiro, assim como em outros casos, como tocar guitarra ou bateria. ‘‘Podemos obter bons sons de qualquer lugar, não precisa ter dinheiro para comprar instrumentos caros’’.
Atuando como profissional há mais de 30 anos, Silva já rodou o mundo ao lado de músicos de grande porte. Em sua discografia podem ser encontradas participações em discos de Milton Nascimento, João Donato, Tom Jobim, Wayne Shorter, Paul Horn, George Duke, Egbeto Gismonti, Airto Moreira, Flora Purim, Raul de Souza, Dori Caymmi, Cal Tjader, Sarah Vaughn, Gilberto Gil, Toninho Horta e mais recentemente Lisa Ono e Guilherme Vergueiro.
Como solista, Silva já lançou ‘‘Música Popular Brasileira’’, pela Philips em 1981, ‘‘Bateria’’ em 1984 e ‘‘Speak no Evil’’ em 1989.
No momento, o músico concentra as atenções para o trabalho em família. Formou o Robertinho Silva e Familia, com seus quatro filhos percussionistas e investe nisso. Quem viu seu show em Curitiba na última sexta-feira no Teatro da Reitoria pode conferir a viagem pela rica sonoridade de um dos grandes mestres da percussão brasileira.(A.C.G.)
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