Um mestre afiado do samba
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quarta-feira, 10 de maio de 2000
Simone Mattos De Curitiba 
O samba autêntico do cantor e compositor pernambucano Bezerra da Silva, 62 anos de vida e 25 anos de carreira, está em Curitiba. O mestre apresentará o novo disco - que é o seu 25º - amanhã, no Studio 1250. Com muita irreverência e palavras afiadas, ele falou com a imprensa sobre samba, mídia e o seu novo trabalho, o primeiro que gravou ao vivo.
As 18 faixas, das quais seis são inéditas e 12 são regravações de grandes sucessos, retratam a realidade das favelas do Rio de Janeiro, para onde ele se mudou aos 15 anos de idade. O disco foi gravado ao vivo numa apresentação na quadra da Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha.
Criado no morro do Cantagalo, Bezerra da Silva foi precursor do samba testemunhal, bem antes das primeiras bandas de rap começarem a fazer o mesmo. Os autores das minhas músicas são pobres, favelados e tão mal vestidos que as gravadoras nem os recebem, diz. Não tem ninguém formado, mas a criatividade deles é poderosa.
Sem medo de falar o que pensa, Bezerra ataca o atual poder da mídia e se orgulha em dizer que é um sambista do povo, consagrado por seus fãs e não pelos veículos de imprensa. Essa mídia que inventaram chama-se dinheiro, ataca. O verdadeiro artista é pobre.
Revoltado com a covardia de alguns colegas de profissão, ele denuncia a máfia das gravadoras e garante que em sua vida não recebeu nem 1% do que merecia pela venda de discos. Calculo que tenham sido umas 50 milhões de cópias, mas o número real ninguém fica sabendo, reclama.
Ele diz ainda que as gravadoras são coniventes com a pirataria de CDs e que os artistas, na maioria das vezes, se calam por medo de perder espaço na mídia. Apesar das injustiças, o mestre do samba coleciona dez discos de ouro, três de platina e um platina duplo, conquistados ao longo da carreira.
Grandes sucessos destes 25 anos serão apresentados amanhã à noite em Curitiba, no palco do Studio 1250. O show será um pouco diferente do que Bezerra apresentou em agosto do ano passado, quando esteve na Fórum. Ao seu lado, dez músicos o acompanham na bateria, cavaquinho, surdos, tamborim e pandeiro. O grupo é conhecido como Bezerra da Silva e um Punhado de Bambas.
Uma das faixas do novo disco ao vivo, Foi o Dr. Delegado que Disse, Bezerra da Silva gravou junto com o delegado Azôr, que atua no 7º Distrito Policial, em Curitiba. Nos conhecemos num bar, numa das vezes em que estive aqui, e ficamos amigos, conta. Ele é um ótimo cantor, conclui.
O show de Bezerra da Silva acontecerá amanhã, às 23 horas, no Studio 1250 (Avenida Paraná, 1.250, Boa Vista, em Curitiba). Os ingressos custam R$ 8,00 (antecipados) e R$ 10,00. Mais informações pelo fone (41) 254-2185.


