No final do século 19 uma verdadeira mania tomou conta de Belém do Pará. Os bilhetes postais sem imagens, emitidos pelo governo, se tornaram ultrapassados com a chegada de cartões-postais ilustrados. A cidade, que no auge da Belle Époque foi considerada a Paris brasileira, via seus costumes retratados nos cartões.
É com base nestes documentos que a Secretaria de Cultura do Governo do Pará está lançando, em segunda edição, o livro ‘‘Belém da Saudade - A memória de Belém do início do século em cartões-postais’’, organizado por Paulo Chaves Fernandes e Rosário Lima.
ReproduçãoCapa do livro ‘‘Belém da Saudade’’Numa edição cuidadosa, com 278 páginas, o livro traz um verdadeiro painel fotográfico dos hábitos de uma época em que a influência francesa era predominante no Brasil. A obra só foi possível graças à colaboração de vários colecionadores, que permitiram uma reconstituição ampla da cidade, dividida em 22 capítulos.
O trabalho minucioso é perceptível inclusive pela reprodução de uma planta de Belém de 1905, uma espécie de guia para orientar o leitor. Os cartões retratam personagens das ruas, como um vendedor de jasmim, cenas portuárias em que o deslocamento de carroças e barcos enchem a vista, paisagens litorâneas de vários ângulos da cidade, inclusive das populações ribeirinhas da região do mangue, onde os barcos a vapor se encarregavam do transporte.
ReproduçãoUm carregador e canoeiros na cidade portuária: costumes também são retratados nos postaisEntre os temas, estão construções que dificilmente ilustrariam cartões na atualidade, como o necrotério municipal e um cemitério. Pelas ruas da cidade multiplicavam-se fachadas que hoje são históricas, além dos bondes que marcavam, com seus trilhos, o revestimento de paralelepípedos.
Mais do que o registro histórico de uma cidade, o livro se apresenta como um espelho da sociedade brasileira e dos contornos urbanos do início do século, um período em que os quiosques das praças viviam cercados de habitués, os coretos eram o centro de eventos culturais e políticos, e belas fontes ornavam as praças. O livro ‘‘Belém da Saudade’’, da Edições Secult, pode ser adquirido no Centro Cultural Tancredo Neves/ Coordenadoria de Marketing, 4º andar, Avenida Gentil Bittencourt, 650, Nazaré - Belém - Pará, telefone (091) 241-2333, ramal 134.ReproduçãoCruzamento da Avenida São Jerônimo com a Travessa Rui Barbosa: casarões e árvores centenáriasRanulfo Pedreiro

mockup