Um mergulho na ''Terra Vermelha''
Todos quantos vivem no Norte do Paraná, há pouco ou há muito tempo, precisam mergulhar na Terra Vermelha de Domingos Pellegrini, livro lançado há alguns meses e que conta uma parte desta verdadeira epopéia humana que foi a construção de Londrina e de boa parte deste antes chamado setentrião paranaense. Não quer isto dizer que gente de outras regiões, outros Estados ou até de outros países não deva ler o livro. Na verdade, assim como nós aqui lemos as histórias de Jorge Amado sobre a região do cacau, na Bahia, ou os livros de Érico Veríssimo sobre o Rio Grande do Sul, as pessoas de outros pontos do Brasil sem dúvida vão se deliciar com o livro do escritor londrinense. Na verdade, dizer que com este (e já antes com o que escreveu sobre Celso Garcia Cid e com outros de contos que evocam esta terra) livro Domingos Pellegrini se converte no Jorge Amado ou no Érico Veríssimo do Norte do Paraná não é excessivo.
Quando destaco primeiro que todos os habitantes desta região deveriam ler (e ter) o livro de Domingos Pellegrini é porque ele fala de perto a cada um de nós. Estão ali, ainda que com nomes trocados - mas que, na maioria, são facilmente reconhecíveis pelos mais antigos - os pioneiros, aqueles que vieram de todos os estados do País, de quase todos os rincões do mundo para a grande aventura de abrir uma nova e inexplorada região. Gente corajosa que se lançou com o que tinha - quase sempre só a vontade e a coragem - e que construiu uma civilização que ainda, apesar de muita coisa ter mudado, causa espanto. Para os que moram em outros pontos do Brasil, o livro pode até parecer um pouco ficcional. Para nós, não. A gente sabe que é real, a gente reconhece as pessoas e, mais que isto, vivenciamos esta luta, somos um pouco personagens do livro.
Domingos Pellegrini, que não precisa de apresentações ou elogios, traça no livro um painel precioso. Oferece um retrato da capacidade e da vontade da gente brasileira que, neste Norte do Paraná, acabou com certas mentiras, a principal das quais que o brasileiro é indolente e sem vontade de trabalhar. Londrina, ponto focal da obra, e o Norte do Paraná saltam das páginas do livro com vida estuante, com vigor, com precisão. Dá orgulho a cada um sentir que fez parte, de algum modo, desta história.
O livro é fantástico, valioso. Não é completo, claro. Até porque o filão é extenso. Domingos Pellegrini, que já abriu estas picadas, que agora nos dá esta estrada maior, que é sua Terra Vermelha, certamente vai continuar neste rumo, nos oferecendo mais histórias sobre este nosso amado pedaço de terra vermelha. Na verdade, ele agora nos deve um livro: o dos versos de dona Tiana, a grande personagem de seu romance, a figura marcante de uma História que é no todo fabulosa. Tão inspiradora é que até eu, que jamais tive a coragem (e sequer a competência) de fazer versos, me inspirei e fiz uma quadrinha de pé quebrado a respeito dela e que diz assim:
Os versos de dona Tiana
Têm muito mais sabedoria
Que a grande maioria
Dos livros de filosofia.Arquivo FolhaDomingos Pellegrini: Londrina e o Norte do Paraná saltam das páginas do livro com vigor, com precisãoEstelio Feldman





