Só no Brasil há 1,3 milhão de japoneses e descendentes. É um número considerável de compradores em potencial dos discos da dupla que canta música caipira em japonês. Somem-se a este número os mais de cem mil brasileiros descendentes de japoneses que vivem no Japão, além de uma parcela do próprio povo japonês, que adora a música brasileira. Teoricamente, basta à RGE lançar o disco e ‘‘correr para o abraço’’.
As chances de sucesso são boas, mais pela curiosidade do que pelo talento da dupla. Mas o mercado brasileiro está aberto também para outros gêneros musicais, do rock à MPB. Grupos como o Angra e o Viper vendem mais lá - onde têm até fãs-clubes - do que aqui. Todos os grandes nomes da MPB são idolatrados pelos fãs japoneses, e recentemente a cantora Leila Pinheiro comentou, emocionada, como foi tratada nos camarins depois de um show em Tóquio. Era um ramalhete de flores atrás do outro.
Ainda no ano passado, um produtor musical e dono de rádio em Osaka, Jun Otsu, esteve em visita pelo Brasil e ficou tão entusiasmado com a música instrumental brasileira que decidiu preparar um CD especial. E mais: quer porque quer que o tecladista Paulinho Calazans, integrante da banda de Djavan, faça a seleção e ele próprio toque em algumas faixas. Jun também se entusiasmou com o pagode, ou melhor, com uma mulata baiana que conheceu num pagode - e hoje ela é sua esposa.
Por enquanto, os brasileiros que lá se apresentam cantam em português mesmo, mas há cantores nisseis que gravaram alguns clássicos da MPB - entre eles ‘‘Ronda’’ - no idioma do país do sol nascente. E isso não vem de hoje. Lá pelos anos 50, uma cantora chamada Yoko Abe gravou ‘‘Lampião de Gás’’, ‘‘Paraíba’’ e ‘‘Tico-Tico no Fubᒒ em japonês, entre outras músicas. Pensava-se no início que os discos vinham do Japão mas eram gravados no Rio de Janeiro.

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