Em lançamento a partir de hoje no circuito local (confira a programação de cinema na página 2), ''Banquete do Amor'' é um desses filmes que oscila entre virtudes e problemas, e esta indecisão acaba sendo mais comprometedora do que favorável ao todo. Em cena um ótimo elenco, um desenho de produção extremamente funcional, uma direção com o toque de correção de um cineasta experiente, um leque imenso de boas intenções como crônica de costumes sociais. Mas há um roteiro meio desconjuntado, que deixa calafrios aqui e ali por conta de situações e diálogos implausíveis.
Adaptado do romance homônimo de Charles Baxter e dirigido pelo septuagenário Robert Menton (''Kramer vs. Kramer''), um diretor com apenas onze filmes em 36 anos de carreira, ''Banquete do Amor'' é uma espécie de tour pelas alamedas nem sempre floridas das relações afetivas. Numa pequena comunidade classe-média do Oregon, o professor universitário Harry Stevenson (Morgan Freeman) é o guia deste passeio, alguém dotado de melancólica sabedoria e serena autoridade. Licenciado mas ainda não aposentado, ele se dedica a observar as pessoas mais próximas. Suas observações e reflexões filosóficas são sobre o amor não correspondido, o amor filial, o amor homossexual, o amor à primeira vista, o amor proibido, o amor terminal, o amor e a morte. Ele também carrega sua angústia existencial, que o espectador conhecerá no devido tempo - embora já intuindo...
Há um conjunto de personagens que vive seus romances de maneira mais ou menos dolorosa, o que equivale dizer: mais ou menos feliz. Este conjunto entrelaçado - e você não demora a perceber - sofre do mal da previsibilidade, e o que parece sempre salvar esta aparência de fragilidade da dramaturgia encenada é o relator Morgan Freeman, espécie de pai espiritual não só do romanticamente afoito, do simpático e imaturo Gregg Kinear, ex-aluno e dono do melhor café expresso do local, mas de casais mais jovens que gravitam em busca de referenciais de vida.
A destacar um elenco de três gerações, rostos bonitos e talentosos, atores de escolas e personalidades bem distintas e que resultam num conjunto harmônico. Benton dirige com extrema habilidade este manual de amor. O olhar agridoce é a opção que prevalece, e isto acaba contando a favor, apesar das citadas estripulias do roteiro - a obviedade é a mais inquietante. (C.E.L.J.)

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