Um mega-show em plena Amazônia
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quarta-feira, 05 de junho de 2002
Da Redação 
Na arena, quatro mil pessoas dançam e cantam ao som de 500 tambores. São índios, caciques, iaras, botos, ladeados por gigantescas estruturas coloridas que representam seres mitológicos, onças e outros animais da floresta, além de igrejas, marias e outros ícones religiosos.
Cultura, religiosidade e fantasia misturadas para contar a história dos povos da floresta. Durante seis horas, ao som dos tambores e da toada, os brincantes dos dois bumbás da Amazônia, o boi azul, Caprichoso, e o boi vermelho, Garantido, vão se revezar para defender as suas cores.
O Festival de Parintins é realizado todos os anos nos dias 28, 29 e 30 de junho. O patrocinador oficial, a Coca-Cola, destinou a cada um dos bumbás R$ 787.500 para ajudar na confecção de fantasias e alegorias. Até hoje, a Coca-Cola já investiu R$ 23 milhões no Festival.
A cidade de Parintins tem cerca de 100 mil habitantes e recebe na época do Festival igual número de visitantes, duplicando sua população. Chegam turistas do mundo inteiro, que exibem cocares, colares e outros balangandãs feitos pelos índios da região.
O festival é responsável pela geração de parte dos empregos na cidade. O trabalho é iniciado oito meses antes e, nos currais das duas agremiações, há cerca de mil pessoas contratadas para montagem de fantasias e alegorias.
Cada Bumbá tem três horas para se apresentar a cada dia. O ritual conta a lenda de Pai Francisco e Mãe Catirina que conseguem, com a ajuda do Pajé, fazer renascer o boi do patrão. Conta a lenda que Mãe Catirina, grávida, deseja comer a língua do boi mais bonito da fazenda. Para satisfazer o desejo da mulher, Pai Francisco manda matar o boi de estimação do patrão. Pai Francisco é descoberto, tenta fugir, mas é preso. Para salvar o boi, um padre e um médico são chamados (o pajé, na tradição indígena) e o boi ressuscita. Pai Francisco e Mãe Catirina são perdoados e há uma grande comemoração.
O Bumbódromo é dividido meio a meio em azul e vermelho. As torcidas jamais se misturam e, durante a apresentação de um grupo, a torcida do outro não pode se manifestar. Vaias, palmas, gritos e outras formas de expressão são proibidos quando o contrário se apresenta. Existe inclusive no regulamento um quesito para Torcida (ou Galera).
O Bumbódromo foi construído em 1988 e tem 35 mil lugares, entre camarotes, arquibancadas especiais e arquibancadas gratuitas. Essas representam 95% dos lugares e são divididas em duas partes rigorosamente iguais para as duas torcidas. Cada um dos lados da arquibancada é pintado com a cor de um Boi.
Os bois-bumbás de Parintins existem desde 1913, mas o festival foi oficializado em 1966. O Garantido considerado o boi do povão acumula 21 vitórias contra 15 do Caprichoso, o boi da elite. Pela primeira vez em toda a história dos Bois, em 2000, Caprichoso e Garantido empataram e dividiram a vitória.


