''A Dama na Água'', filme anterior deste jovem e pretensioso diretor nascido na Índia há 37 anos, é provavelmente o menos satisfatório e mais pobre dos cinco principais títulos escritos e dirigidos por Shyamalan, incluída aí até mesmo a opinião dos seguidores incondicionais deste guru do suspense metafísico e sobrenatural ''O Sexto Sentido'', ''Corpo Fechado'', ''Sinais'' e ''A Vila''. Nada além de uma fábula enganadora embalada em pompa e solenidade, de resto característica deste mero maquilador de idéias sempre expressadas pelos atores como se fossem revelações dignas de um gênio.
Shyamalan agora está de volta com ''Fim dos Tempos'', a partir de hoje em estréia mundial, Brasil incluído (veja a programação de cinema na página 2). Segundo suas próprias palavras, ditas durante a turnê que por estes dias faz em países da Europa para promover o filme, ''a história não tem uma mensagem, somente queria fazer um filme série B, o melhor que jamais tivesse sido feito, e por isso contratei a melhor equipe''.
Bem, série B significa budget, orçamento, filme feito com pouco dinheiro, mas com resultados artísticos que superam a modéstia dos recursos empregados. O custo anunciado para ''The Happening'' (título original), no entanto, retira o filme desta faixa na qual o diretor parece querer incluí-lo: U$ 57 milhões. Assim, não se trata de um filme ''pequeno''. É grande produção mesmo. E com mensagem, sim senhor, porque Mr. Shyamalan não abdica de sua pose de profeta grandiloquente, de mensageiro. Mas já recebi muito melhores, e postadas de maneira bem mais simples.
''Fim dos Tempos'' propõe que, da mesma forma que não existem teorias claras sobre o porquê do desaparecimento das abelhas no mundo, também não está ainda evidente se não seria a Natureza contra-atacando a raça humana como justa retaliação diante das mudanças climáticas. Mas como, ainda não está evidente, Mr. Manoj Night Shyamalan !? Ainda restam dúvidas quanto a isto ? E só porque ainda não se decidiu é que se arma todo este proclama embalado em thriller de ficção científica, suspense e terror de segunda ?
A trama, com óbvios sobretons apocalípticos, arrasta o espectador na perseguição de um mistério. Por que, de repente, pessoas aparentemente normais começam a se suicidar, se atirando de prédios ou ferindo os próprios corpos ? Na Filadélfia (domicílio do diretor e background para seus argumentos), um professor de Ciências (Mark Walbergh), sua mulher (Zooey Deschanel) e um colega de trabalho (John Leguizamo) fogem para a zona rural da Pennsylvania, mas são perseguidos pelo suposto vírus. Na fuga encontram populações inteiras mortas em circunstâncias estranhas. Ninguém parece estar a salvo.
Bem, o que isto parece ? Uma nova investida ao território de ''Os Invasores de Corpos'', a obra-prima de Don Siegel ? Ou seria uma revisita ao terreno sempre fertilizante de ''Os Pássaros'', a obra-prima de Hitchcock ? O que se sabe com certeza é que, adicionando temperos sempre edulcorados para platéias permeáveis, como religiosidade difusa, eflúvios paranóicos, profecias disfarçadas, esoterismo de manga de colete e doses calibradas de medo daquilo que não se conhece, Shyamalan vai construindo sua oca filmografia.

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