Um manifesto contra a opressão
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de setembro de 1997
Telma Elorza Londrina 
Milton DóriaOlya Roohizadegan: seu livro já é sucesso em toda a EuropaHá quatro anos, o livro A História de Olya figura entre os 20 mais vendidos na Inglaterra. O livro retrata fatos dramáticos acontecidos com a autora, a iraniana Olya Roohizadegan, que sofreu, junto com centenas de outras pessoas, perseguição e prisão por questões religiosas no Irã. A autora fez palestra e lançamento do livro, ontem à noite, em Londrina. O evento integrou a programação do 12º Ciclo Afro-Asiático.
O livro conta a história das perseguições, prisões, torturas e martírio que os integrantes do movimento Baháí - uma ordem filosófica e religiosa - sofreram quando o Governo Revolucionário Islâmico, do ayatolá Khomeini, derrubou o Xá da Pérsia (atual Irã) e assumiu o poder. Olya, assim como centenas de outros da mesma religião, foi perseguida, presa, perdeu todos os direitos - inclusive os de propriedade - e emprego por não renegar sua fé e assumir a mulçumana.
A autora ficou dois meses presa em 1982, passou por dezenas de interrogatórios, torturas físicas e psicológicas, viu dezenas de companheiros morrerem martirizados. O livro não é para ganhar dinheiro e me promover. É uma história de amor e sacrifício por aquilo que acreditamos - explica. Segundo ela, o livro faz parte de uma promessa feita à amigas que foram assassinadas naquele período. Eu prometi que, se conseguisse sair, iria contar ao mundo a história do que os baháís viveram e vivem, ainda hoje, no Irã. Por isto viajo o mundo fazendo estas palestras - diz.
PerseguiçãoSegundo Olya, desde que a religião Baháí começou no Irã, em 1844, mais 20 mil pessoas foram martirizadas. A partir do momento que Governo Revolucionário Islâmico assumiu, em 1979, 200 pessoas foram mortas por sua fé. E isto continua a acontecer. Atualmente cinco pessoas estão presas, com suas sentenças de morte decretadas, e duas foram executadas na semana passada. Além disso, 300 mil baháís vivem atualmente naquele país, sem nenhum tipo de direitos - indigna-se.
Atualmente radicada na Inglaterra, com o marido e o filho caçula, Olya vêm se dedicando a causa dos baháís no Irã, mantendo contatos com a ONU, ministros de Estado, representantes de direitos humanos, jornalistas e intelectuais. Eu não sinto raiva, nem ódio daqueles que nos torturaram. Eu os perdôo, mas precisamos lutar pela unidade, paz e segurança do mundo, para todas as pessoas não importando o credo, a raça ou a cor - afirma. O livro pode ser adquirido na sede Baháí de Londrina, Rua Aminthas de Barros, 119.


