Milton DóriaOlya Roohizadegan: seu livro já é sucesso em toda a EuropaHá quatro anos, o livro ‘‘A História de Olya’’ figura entre os 20 mais vendidos na Inglaterra. O livro retrata fatos dramáticos acontecidos com a autora, a iraniana Olya Roohizadegan, que sofreu, junto com centenas de outras pessoas, perseguição e prisão por questões religiosas no Irã. A autora fez palestra e lançamento do livro, ontem à noite, em Londrina. O evento integrou a programação do 12º Ciclo Afro-Asiático.
O livro conta a história das perseguições, prisões, torturas e martírio que os integrantes do movimento Bahá’í - uma ordem filosófica e religiosa - sofreram quando o Governo Revolucionário Islâmico, do ayatolá Khomeini, derrubou o Xá da Pérsia (atual Irã) e assumiu o poder. Olya, assim como centenas de outros da mesma religião, foi perseguida, presa, perdeu todos os direitos - inclusive os de propriedade - e emprego por não renegar sua fé e assumir a mulçumana.
A autora ficou dois meses presa em 1982, passou por dezenas de interrogatórios, torturas físicas e psicológicas, viu dezenas de companheiros morrerem martirizados. ‘‘O livro não é para ganhar dinheiro e me promover. É uma história de amor e sacrifício por aquilo que acreditamos’’ - explica. Segundo ela, o livro faz parte de uma promessa feita à amigas que foram assassinadas naquele período. ‘‘Eu prometi que, se conseguisse sair, iria contar ao mundo a história do que os bahá’ís viveram e vivem, ainda hoje, no Irã. Por isto viajo o mundo fazendo estas palestras’’ - diz.
PerseguiçãoSegundo Olya, desde que a religião Bahá’í começou no Irã, em 1844, mais 20 mil pessoas foram martirizadas. ‘‘A partir do momento que Governo Revolucionário Islâmico assumiu, em 1979, 200 pessoas foram mortas por sua fé. E isto continua a acontecer. Atualmente cinco pessoas estão presas, com suas sentenças de morte decretadas, e duas foram executadas na semana passada. Além disso, 300 mil bahá’ís vivem atualmente naquele país, sem nenhum tipo de direitos’’ - indigna-se.
Atualmente radicada na Inglaterra, com o marido e o filho caçula, Olya vêm se dedicando a causa dos bahá’ís no Irã, mantendo contatos com a ONU, ministros de Estado, representantes de direitos humanos, jornalistas e intelectuais. ‘‘Eu não sinto raiva, nem ódio daqueles que nos torturaram. Eu os perdôo, mas precisamos lutar pela unidade, paz e segurança do mundo, para todas as pessoas não importando o credo, a raça ou a cor’’ - afirma. O livro pode ser adquirido na sede Bahá’í de Londrina, Rua Aminthas de Barros, 119.

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