Um maestro bem-humorado
Um maestro bem-humorado
Roberto Duarte é um maestro educado, gentil, comunicativo. Na última apresentação em Curitiba, no Guairão, enquanto anunciava a próxima peça, foi interrompido pelo som de um telefone celular na platéia. A gafe serviu de mote para o regente vender seu produto. Converse, eu espero. Diga para quem não veio, que está perdendo uma beleza de concerto.
Um dia antes de embarcar para Londrina reservou parte da manhã, destinada aos ensaios, para a produção de uma foto oficial da orquestra. As que tinham eram mais antigas e uma orquestra profissional precisa, pelo menos a cada ano, de uma nova foto oficial. Senão, de seis em seis meses, ensina.
Um produto tem que ser bonito para ser vendido. Musicalmente o nosso produto é assim, mas visualmente ele também tem que ser, argumenta. Roberto Duarte é atento àquilo que se passa no palco, e na platéia. Numa orquestra a primeira coisa que atinge o público não é a audição. Ele vê a orquestra. O espetáculo, portanto, começa no instante em que o músico pisa no tablado.
Seguramente a OSP não estava acostumada a estes cuidados, mas os detalhes também são muito importantes para o maestro, que começou os estudos de piano aos 5 anos de idade, fez a Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi assistente de Mignone e aperfeiçoou-se na Alemanha, com bolsa cedida pelo DAAD. Costuma viajar três vezes ao ano ao exterior, como maestro convidado, apresentando-se com as mais diversas orquestras.
Niteroiense, 57 anos, tem como hobby o aprendizado de idiomas. Ele diz que se faz entender no francês, inglês, alemão, italiano, espanhol. Estudou um pouco de grego e esperanto. Através da língua, a gente entende o povo.(Z.C.L.)





