Um madrigal sintonizado
O Coro Madrigal de Londrina conseguiu uma boa repercussão nas apresentações que fez durante a estada no Rio de Janeiro. Tanto que o maestro Othônio Benvenuto permanece alguns dias a mais por lá para amarrar uma série de importantes apresentações para o próximo ano, algumas ainda no primeiro semestre. Entre os importantes convites estão uma possível temporada para concertos com a banda Sinfônica do Corpo de Bombeiros e o cantor Jerry Adriani; a participação em um Festival Internacional de coros, em junho, organizado pela Universidade Moacir Bastos; e um concerto sinfônico na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro só com obras do padre José Maurício Nunes.
Durante a estada no Rio de Janeiro, o Madrigal de Londrina - ao todo com 46 vozes - fez duas apresentações oficiais e outras informais, além de se juntar ao grande coro do concerto do centenário da Banda Sinfônica do Corpo de Bombeiros. A primeira aconteceu no salão Leopoldo Miguez, pertencente à Universidade Federal do Rio de Janeiro. A segunda aconteceu nas dependências da Moderna Associação Brasileira de Ensino (Mabe) e que contou com presença do cantor Jerry Adriani na música Travessia. Em todas, arrancou elogios.
O repertório ensaiado congregou músicas latino-americanas, como a belíssima Pobrecito Corazon( do folclore colombiano) e também músicas brasileiras como Asa Branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) e Banzo Maracatu (Dimas Sedícias). Os solos ficaram a cargo de Valdir Clovis de Assis (Volver, de Alfredo Le Pera) e Joaquim Braga (no spiritual Swing Low, Sweet Chariot).
Determinação O coro saiu de Londrina revigorado com 26 novas vozes, recrutadas há cerca de três meses. Em tempo recorde, o maestro Othônio Benvenuto conseguiu imprimir caráter rítmico e harmônico aos novos cantores, alguns sem nenhuma experiência anterior de canto em coro. E assim mesmo, o resultado foi uma perfeita sintonia entre os veteranos e novatos, um entrelace harmonioso de timbres e tons. Uma sintonia que se estendeu à convivência em grupo, igualmente necessária a um bom desenvolvimento musical.
As apresentações no Rio de Janeiro foram, realmente, grandes desafios ao Madrigal de Londrina, que desde 91 vem se firmando cada vez mais como uma das preciosidades musicais da cidade. Desde esse ano, o grupo vem se destacando pela determinação do maestro Othônio Benvenuto. Um senhor de 71 anos, apaixonado por Beethoven e Raul Seixas, pertencente a uma confraria de gente valente de Londrina que não deixa a peteca cultural da cidade cair na lama da mediocridade.
E para quem acha que isso é uma mera jogação de confete, que tenha a boa vontade de acompanhar seu trabalho para constatar que nem tudo é carnaval na vida profissional de quem, aos trancos e barrancos, como o maestro Othônio Benvenuto, mantém acesa a velha fama de pólo cultural que Londrina ainda tem. Ainda. (A.M.J.).





