Londrina

Arquivo FolhaLaércio Redondo vai expor três obras em desenho sobre papelO artista plástico londrinense Laércio Redondo está entre os 40 selecionados para o 16ºSalão Nacional de Artes Plásticas, que será realizado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em meados de janeiro. O Salão recebeu cerca de 700 inscrições de artistas de todo Brasil e apenas dois do Paraná, Laércio e Yiftah Peled, de Curitiba, foram selecionados.
Para o artista, ser selecionado para este salão é o reconhecimento de que seu trabalho já conseguiu arranhar a hegemonia do eixo Rio-São Paulo. ‘‘Para nossa condição de artista de fora deste eixo, é um grande passo. É lógico que temos artistas que fazem ou têm condições de fazer este salto, mas ser selecionado para um salão deste porte é uma afirmação de percurso. E a participação no salão veio de encontro aos planos de vôo’’ - diz.
Laércio estará expondo três obras, em desenho sobre papel, todos sem título. Nestes trabalhos, o artista dá continuidade a uma pesquisa estética que vem desenvolvendo há quase três anos: o olhar do artista voltado para si mesmo, em registros frequentes formando quase que um diário de emoções e sentimentos. A pesquisa, que já utilizou pintura e gravura como meio, agora segue o desenho e o papel, quase como um retorno ao princípio.
BuscaSegundo Laércio, a pesquisa surgiu da vontade de manter um ‘‘escrito’’ diário, quase como um livro. ‘‘Com a gravura, eu quebrava a narrativa linear do livro, cada obra era uma página em separado. Com o papel, eu reestruturo o livro em seu formato original’’ - conta.
E a principal peça que estará em exposição será mesmo um livro, um caderno sem uso que Laércio encontrou em um brechó. Um caderno que não traz nenhum registro sobre sua finalidade: antigo, com formato estranho, sem pauta e com folhas de seda numeradas. ‘‘Eu não sei para que serviria este caderno, mas houve uma identificação instântanea com ele. Era como se eu o estivesse esperando e ele a mim’’ - diz.
Neste caderno, Laércio monta um jogo - não lúdico no sentido da palavra, mas que traz em si, também, uma certa diversão. Ao mesmo tempo em que registra em cada página uma obra em si, propõe inúmeras leituras sobre elas, proporcionadas pela transparência das páginas.
Nos registros, a busca pelo imaterial está nas linhas que indicam o caminho mas que não chegam a construir figuras, que tateiam e ‘‘gaguejam’’ sobre o papel. A imaterialidade dos desenhos às vezes lembra fragmentos do corpo, quase uma radiografia de órgãos enquanto a textura do papel remete à pele. ‘‘O desenho sempre foi uma coisa coberta, por tinta ou outros materiais. Agora, neste trabalho, está se mostrando, mas não de forma completa. É um registro de um momento mas que não responde às dúvidas. É como se importasse só a mim’’ - aponta.

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