Um livro para não ler em avião
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de novembro de 1997
Estelio Feldman 
Londrina
ReproduçãoNão conheço estatísticas efetivas, mas acredito que não erro ao afirmar que a maioria esmagadora da população tem medo de viajar de avião. Aquela frase segundo a qual se Deus quisesse que os homens voassem, tê-los-ia criado com asas, repetida muitas vezes, parece adequada para um incontável número de pessoas por este planeta. Todavia, voar é preciso! É mais rápido, dizem que é mais seguro, e de qualquer modo milhões cortam os ares a bordo de aviões.
E tem muita gente que quando tem de voar procura um meio para se distrair. Não poucos levam livros para ler durante a viagem, o que é uma excelente idéia. Nada como um bom livro para a pessoa se distrair dos medos. Entretanto, há pelo menos um livro que você não deve ler em um avião: O Relógio de Pandora, romance de John J. Nance, um suspense fantástico que mostra o drama de quase 300 pessoas a bordo de um 747 que não tem onde pousar, no mundo.
A trama A história repete o que a ficção tem usado com certa frequência, nos últimos tempos. Um passageiro do vôo 66 estava, sem saber, contaminado com um vírus letal que punha em risco a própria humanidade. Quando se descobriu isto, o 747 estava no ar, tentando um pouso de emergência para atender precisamente aquele passageiro. Os governos, apavorados, negavam autorização para o pouso. Para tornar a questão ainda mais complicada, um grupo terrorista resolve atacar o avião. Isto, mais o envolvimento de agentes do Governo norte-americano vai levando o romance a uma intensidade nervosa, um suspense muito bem trabalhado que torna o leitor participante da trama.
John J. Nance, o autor, é um piloto e especialista em aviação, o que confere ao livro maior credibilidade, ainda. Acompanhar as peripécias do comandante James Holland é como estar no comando do avião, lutando para manter vivos os passageiros, apesar da ameaça do vírus invisível e dos governos visíveis que tentam resolver o problema do modo mais simples: destruindo o jato e seus indesejados passageiros. O autor conseguiu criar, com simplicidade, um grupo de personagens que parecem vivos e reais, em suas reações. Enfim, um livro muito bom de se ler, com os pés bem firmes no solo, naturalmente.
Relógio de Pandora - de John J. Nance, editora Record, tradução, Raquel Zampil, 445 páginas, R$ 30,00/ livraria Arles.


