Arquivo FolhaHelena Kolody: encontro com Broussard será hoje, durante o lançamento de ‘‘Coral da Inquietude’’A poeta Helena Kolody nunca foi de escrever para ter seu nome na fama. Durante décadas editou seus livros e presenteou os amigos, sem colocá-los à venda. Há alguns anos achou que era hora de parar e o pouco que produz permanece inédito. Porém, sua poesia continua caminhando. ‘‘Viagem no Espelho’’, um de seus últimos lançamentos, está sendo traduzido para o italiano.
O trabalho vem sendo feito pelo poeta Domenico Corradini Broussard, que lança hoje, às 10 horas, no auditório das Faculdades Positivo, em Curitiba, seu livro de poesias ‘‘Coral da Inquietude’’. É a primeira edição do autor em língua brasileira. Ele tem obra publicada em Portugal.
Helena e Corradini não se conhecem. O encontro se dará hoje, durante a sessão de autógrafos. Há mais de um ano o poeta foi presenteado pelo professor Jacinto de Miranda Coutinho com um exemplar de ‘‘Viagem no Espelho’’. A admiração pelos textos, que começam em tempos recentes e mergulham no passado, foi imediata.
Além dos espelhosDomenico Corradini Broussard é diretor editorial da Edizioni Ets, de Pisa. Está no Brasil para ministrar aulas inaugurais dos cursos de pós-graduação em Direito do Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos e da UFPR. Doutor em Direito e Filosofia, é também professor de Filosofia do Direito na Universidade de Pisa.
Já lecionou em algumas das universidades mais importantes do mundo, como a Oxford, Cambridge, Londres, Dublin, Sourbone, Nova York, Munique, Berlim, Madri. Autor de mais de 25 publicações na área técnica, o professor também é autor de romances, poesias e peças teatrais.
Transitar nas rígidas linhas do Direito e no terreno fantástico da poesia faz parte de sua vida. Ele comenta que os cientistas jurídicos pensam através de esquemas ‘‘muito frios, com estatísticas, com números. O meu compromisso de ir além do Direito, está no contrário, no outro lado da realidade como num espelho. Além do Direito está o contrário da realidade’’, explica.
Para ele a poesia é a expressão do sentimento inconsciente, mas o inconsciente é também parte da consciência. Esta ele governa, domina. Já o inconsciente seria como o sangue de nosso corpo. Determina-se as ações do corpo, mas não se pode interferir com a simples vontade a circulação do sangue. Sangue e poesia, portanto, são ingovernáveis e sempre presentes.
EnigmasDomenico Corradini afirma que a vida não tem enigmas; ela é um enigma. Os poetas que por ela passam são como profetas, a levar a palavra e a inquietude. ‘‘O filósofo, o poeta são mestres da dúvida’’, argumenta. Importante mesmo é a palavra, muito embora muita gente nos dias de hoje use-a como se fossem palavras de computador: fria, sem alma.
Sem aceitar conceitos estabelecidos, o poeta italiano não aceita a frase ‘‘Penso, logo existo’’. Ele troca para ‘‘Desejo, logo existo’’. E acrescenta: ‘‘Desejo que os outros desejem, que o outro possa sempre desejar’’.
Está condicionada aí sua maneira de ver as pesssoas e o mundo. Uma infinidade de diversidades que devem ser respeitadas. ‘‘A igualdade é uma ficção. O importante é a diferença entre os homens’’, dispara. ‘‘Só posso dizer que sou igual a outro, se reconheço que o outro é meu diferente. Eu sou diferente do meu diferente. Logo, ambos somos iguais dentro do espaço da diferença’’. Este respeito à individualidade é a falta flagrante dos governantes ditatoriais, conclui.
Coral da Inquietude - de Domenico Corradini Broussard. Lançamento hoje, às 10 horas, na Faculdades Positivo (Avenida Nossa Senhora Aparecida, 174). Preço do livro: R$ 5,00.

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