UM JOGO DE PRAZER
Udhi Jozzolino mostra seus trabalhos, que
considera uma espécie de brincadeira
Érika Pelegrino
Mario CesarUdhi
Jozzolino
trabalha com
cores e
texturas
para compor
as telas
que estão
em exposição
no Espaço
Cultural
BanestadoDiscussões filosóficas sobre a arte ou retratar a realidade crua não são a meta do trabalho da artista plástica londrinense Udhi Jozzolino. O que move sua arte é a fantasia, a imaginação. A criação é elemento primordial no caminho desta artista, que a partir de amanhã, às 20 horas, mostra o resultado desta trajetória.
Até o dia 12 de junho as pessoas poderão ver 29 trabalhos de Udhi Jozzolino no Espaço Cultural do Banestado, na avenida Bandeirantes, 500, em Londrina. O meio que a artista plástica escolheu para expressar a sua fantasia é óleo sobre papel/colagem.
Imaginação, poesia são os alimentos das colagens de Udhi Jozzolino, muito bem retratados nas palavras do artista plástico Bira Senatore: ‘‘Jamais poderia me propor a apresentar uma exposição de trabalhos da Udhi nestas linhas. Faltaria espaço, sobraria poesia’’. A artista afirma que para muitos a poesia é propriedade do escritor, do poeta, do músico, mas ela discorda: ‘‘A poesia também é propriedade do artista plástico’’.
O público londrinense já conhece bem seu trabalho, suas formas, cores, texturas. Há tempo que ela não se detém apenas no figurativo. Ela constrói formas com papel, a linha se define na colagem. ‘‘Faço formas de todo jeito. Para mim o que existe é forma no espaço. De repente ela (forma) tem referência figurativa, de repente a referência dela é ela mesma’’, afirma Udhi Jozzolino.
Dá para perceber o por que do tema da exposição: ‘‘É Forma de Todo Jeito’’. O material a ser utilizado é o trabalho que determina. ‘‘Trabalho com o material que vai resolver o que eu preciso naquela hora’’, diz. Às vezes, são dois ou três pedacinhos de pano que resolvem.
A textura também é determinante nos quadros da artista. ‘‘Trabalho com colagem por causa da textura’’, diz. Por que? ‘‘Foi acontecendo desta forma’’, explica. O trabalho para Udhi Jozzolino é uma espécie de brincadeira. ‘‘Um jogo de prazer’’, diz. E é isto que ela quer transmitir para o público. ‘‘Quem gosta do meu trabalho, gosta muito’’, afirma. ‘‘Quem não gosta, não gosta.’’
Para fazer uma leitura dos quadros da artista é preciso parar e olhar, sentir. Não dá para olhar de relance. As cores são vibrantes. O preto não existe na palheta de Udhi Jozzolino, mas é a forma que conduz às cores, segundo a artista. O primeiro conta com as artes plásticas já se perderam na memória. ‘‘Deve ter sido quando eu era criança’’, diz. Durante todo a sua trajetória o trabalho se modificou, claro. Nesta exposição, a mudança se vê no tratamento dado à tinta.
‘‘Estou com medo de virar pintora’’, brinca. É que antes a tinta era utilizada muito diluída, o papel aparecia mais, sua textura. Nesta série de trabalhos, em alguns, a artista nota que a tinta é mais forte. ‘‘Apenas aconteceu’’, afirma.
Exposição de Udhi Jozzolino. De amanhã a 12 de junho no Espaço Cultural Banestado, (Av. Bandeirantes, 500, Londrina).

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