Um jardim no meio do Atlântico
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2001
Paula Rigonatti Agência Estado 
Flores, montanhas e águas cristalinas formam o cenário da Ilha da Madeira, um ponto minúsculo no mapa capaz de surpreender o turista logo no primeiro contato
A Ilha da Madeira pode ser uma grande surpresa para turistas em viagem a Portugal. A cerca de uma hora de vôo de Lisboa, está localizada num arquipélago de mesmo nome, no meio do Oceano Atlântico, e realmente encanta seus visitantes. Não foi à toa que no século passado, a burguesia inglesa adotou a ilha como refúgio especial de férias.
Há milhões de anos uma erupção vulcânica fez emergir uma ilha, de clima úmido e quente e com vegetação densa. A primeira descoberta de D. Henrique, o Navegador, recebeu o nome de Madeira, pelas suas muitas e variadas árvores.
Madeira, na verdade, é apenas uma das ilhas que compõem o arquipélago, de 741 km2. As outras são Porto Santo, Selvagem e as Desertas. A capital é a cidade de Funchal, a primeira cidade construída por europeus em terras atlânticas, que abriga 100 mil dos 300 mil habitantes de todo o arquipélago.
Flores, montanhas e águas cristalinas formam o cenário da Ilha da Madeira. Apesar de ser apenas um ponto minúsculo no mapa, é capaz de surpreender o turista logo no primeiro contato. Devido à formação vulcânica, a ilha não apresenta praias de areia branca e fina. Em compensação, há piscinas formadas pelas águas do mar, renovadas pelas marés.
Alguns pontos turísticos da ilha darão uma boa visão do conjunto da Madeira. A Eira do Cerrado, a 15 km e a 1.026 metros de altitude, oferece a melhor vista do Curral das Freiras, um povoado no fundo de um vale que se presume ser a cratera de um vulcão extinto.
Curral das Freiras é o lugar mais primitivo da ilha e seus habitantes, descendentes de antigos fugitivos e escravos, quase não mantêm contato com o resto da população, vivendo de culturas de subsistência e venda de artesanato.
As flores são um capítulo à parte na história da Ilha da Madeira. Em todo o arquipélago é possível apreciar as flores que brotam naturalmente nas escarpas montanhosas e nos bosques silvestres e que, misturadas ao verde da vegetação, proporcionam um alegre e colorido conjunto.
No centro de Funchal e em outros pontos há sempre mulheres vendendo essas flores, além de frutas e artesanatos. A ilha também produz cereais, cana-de-açúcar, banana e muitas outras frutas de clima quente. Algumas até mesmo desconhecidas para o turista, como a cifomanandra ou tomate inglês. A fruta do conde da ilha é conhecida como anona e tem um sabor diferente.
Nos riachos das montanhas cria-se trutas, chegando-se a pescar seis por dia. De setembro a dezembro é época de caça de coelhos, pombos, perdizes e codornas nas montanhas.
Uma das principais atividades da ilha, os bordados, onde a cor predominante é a vermelha, são conhecidos em todo o mundo. Eles são produzidos por 70 mil mulheres, distribuídas em várias indústrias e oficinas.
O artesanato é controlado pelo Instituto do Bordado, Tapeçarias e Artesanato da Madeira, organismo criado pelo governo de Portugal, que inspeciona e sela todas as peças, garantindo sua autenticidade artística.
A melhor maneira de conhecer a ilha é de carro. A sugestão é alugar um veículo e seguir o roteiro que preferir. Um dia basta para uma volta completa, desde que a saída seja cedo. Passear a pé também pode ser um tranquilo e delicioso programa.
Várias excursões também são programadas pelas agências de viagens. É importante consultá-las e buscar o melhor pacote. A própria ilha conta com dezenas de agências particulares.


