Ao longo de seus 82 anos, o italiano Aldo Fabbri já fez quase tudo na vida. Jornalista, crítico de arte, diretor de uma das mais famosas revista de arte da Itália, Fabbri - que está passando suas férias no Paraná e recentemente visitou a redação da Folha de Londrina - atua, na cidade de Lucca, como Conselheiro de Turismo da Europa Unificada. Durante sua viagem, o italiano ainda prepara um vídeo mostrando as belezas do Brasil. ‘‘Na Europa, e principalmente na Itália, o Brasil é muito mal divulgado’’, critica Fabbri. ‘‘As pessoas pensam que no Brasil só existe carnaval e mato, não sabem que existem cidades muito bonitas como Foz do Iguaçu ou Curitiba’’.
Nesse vídeo que realiza, mesmo de forma amadora, Fabbri pretende mostrar aos membros do Conselho de Turismo para tentar, de forma inversa, melhorar a imagem do Brasil no exterior. ‘‘É uma pena que a maioria das pessoas envolvidas com turismo no Brasil não façam questão de mostrar de verdade o que acontece por aqui’’, penaliza-se.
Para o conselheiro o interesse constante da mídia apenas por tragédias ainda piora a imagem do Brasil na Europa. ‘‘Mesmo sendo jornalista, ou talvez por isso mesmo, sei que ‘boas notícias’ não têm muito apelo junto ao público. Por isso, acontecimentos como chacinas ou assassinatos ganham um destaque que muitas vezes não merecem. Não digo que não se deva denunciar acontecimentos como esses mas sobre o Brasil a mídia é impiedosa neste aspecto’’.
Arroz com feijão Para provar sua teoria sobre as mazelas da impresa européia, Fabbri aproveita também suas férias para fazer uma reportagem sobre os menores de rua brasileiros. O jornalista prepara o material para uma revista da UNICEF (órgão da ONU responsável por crianças em todo o mundo) especializada sobre o tema. Para Fabbri nor últimos dez anos a situação do menor abandonado no Brasil mehorou muito. ‘‘Há dez anos tive a aportunidade de fazer um trabalho sobre o mesmo tema no Brasil. Na época fiquei impressionado. As pessoas não se importavam com esses meninos. Hoje, embora para que em números eles sejam mais, há parte ativas da sociedade tentando fazer alguma coisa. Isso é uma mudança na mentalidade, coisa difícil de acontecer em uma sociedade, mas que está acontecendo bem aqui’’, alegra-se.
Esse namoro de Fabbri com o Brasil é antigo. ‘‘Comi feijão com arroz pela primeira vez em 1942’’, conta o jornalista que acompanhou os pracinhas brasileiros na Europa durante a Segunda Grande Guerra. ‘‘A comida brasileira é muito genuína. Leve, fácil de fazer, nutritiva e muito gostosa, aposto que muitos italianos iriam adorar a hospitalidade e a comida brasileira’’, finaliza o italiano.

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