Um inventário do século 20 Premiado em festivais, ‘‘Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos’’ sintetiza o século com muita criatividade ReproduçãoVÍDEONove por cento das imagens são de arquivos: filmes antigos, fotos e reportagens de TV Celso Mattos De Londrina É bom saber que o cinema ainda não esgotou sua capacidade de criação. ‘‘Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos’’, de Marcelo Masagão é um dos filmes mais originais dos últimos tempos. Gastando apenas R$ 140 mil, Masagão fez um inventário sobre a memória do século 20. O cineasta sintetiza o século por meio de grandes personagens e pequenas vidas ou grandes vidas de pequenos personagens. Ao contrário do que possa parecer, ‘‘Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos’’ não é um documentário, mas um filme-memória. Lançando mão de recursos da linguagem de vídeo, Marcelo Masagão eliminou a figura do narrador da estrutura do filme, adotando texto para descrever as cenas. Com muita competência, ele utilizou técnicas de montagem usadas por Eisenstein: duas imagens superpostas produzem uma terceira no inconsciente do público. É desta forma que ele relaciona, por meio da montagem, a figura do alfaiate que tentou voar, saltando da Torre Eiffel no começo do século, com a fracassada missão da Challenger, a nave americana que explodiu no ar. São muitas histórias, algumas rigorosamente documentadas, outras fictícias. Tudo para discutir a capacidade de destruição do homem do século 20. Este é o tema que percorre ‘‘Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos’’, justicando a imagem do cemitério que abre e fecha o filme. Masagão foi buscar em Freud o suporte científico para analisar esse fascínio do homem pela morte e a banalização da destruição e da violência, por meio de duas grandes guerras e por outros inúmeros conflitos. O filme ganhou mais de 10 prêmios em festivais nacionais e internacionais. Lançamento da Filmark. Duração: 75 minutos. OUTROS LANÇAMENTOS Reprodução Paixão e morte caminham juntas neste ótimo longa de Carlos Saura Tango Este belo e intenso longa-metragem de Carlos Saura foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1999, junto com ‘‘Central do Brasil’’. Depois de abandonado por sua mulher, Mario Suárez (Miguel Angel Sá), uma cineasta talentoso mergulha na produção de um filme sobre tango. Durante as filmagens, ele conhece Elena Flores (Mia Maestro), uma linda dançarina. O problema é que ela é amante do principal patrocinador do filme. No decorrer das filmagens, Mario e Elena se envolvem em um tórrido caso de amor que tem tudo para terminar em tragédia. Toda a obra de Carlos Saura é permeada de morte, solidão e famílias destruídas, como ‘‘Mamãe faz Cem Anos’’ e ‘‘Ana e os Lobos’’, só para ficar entre os principais. ‘‘Tango’’ não foge à regra: paixão, dança e morte caminham juntas neste último longa do diretor. A bela fotografia é de Vittorio Storaro, vencedor de três Oscars por ‘‘Apocalypse Now’’, ‘‘O Último Imperador’’ e ‘‘Reds’’.Lançamento da Europa. Duração: 115 minutos. Reprodução Filme se sustenta pela ótima performance dos atores A Fortuna de Cookie Com um elenco que reúne Glenn Close, Julianne Moore, Liv Tyler e Chris O’Donnell, o cineasta Robert Altman realizou um bom filme, mas que deixa a desejar se comparado a ‘‘Short Cuts – Cenas da Vida’’. A fita conta a história de Cookie, uma solitária senhora que após a morte do marido acaba cometendo suicídio. Mas suas duas sobrinhas – Glenn Close e Julianne Moore – fazem tudo para transformar a morte da tia em assassinato, culpando Willis (Charles S. Dutton) que cuidava de Cookie há muito tempo. Conforme a polícia começa a investigar a morte de Cookie, os suspeitos vão se multiplicando. O que o telespectador vê a seguir é um festival de situações hilárias e pouco convencionais. Além de uma direção rica em detalhes, a ‘‘Fortuna de Cookie’’ se sustenta pela ótima performance dos atores. Lançamento da Top Tape. Duração: 118 minutos.

mockup