Quando Matheus Petinatti recebeu o convite do diretor Walter Avancini para viver o sinhozinho Xavier, de ‘‘Xica da Silva’’, sabia que se tratava de um personagem secundário na trama. Na verdade, Matheus deveria sair da história escrita por Walcyr Carrasco após quatro meses, mas o jeito irreverente do personagem acabou agradando tanto ao público que Avancini resolveu mantê-lo até o final da novela.
Para quem tinha apenas uma linha de sinopse, Matheus se saiu muito bem. ‘‘Eu nem sabia que perfil dar ao personagem. Até descobrir que a marca do Xavier era o seu jeitinho sacana’’, define. Mas, apesar do sinhozinho Xavier ter conseguido crescer bastante, Matheus tem um protesto: ‘‘O papel está começando a encher linguiça!’’.
O ator não teve papas na língua para fazer esta reclamação a Walter Avancini. E o diretor parece não ter se incomodado com a ousadia dele: o nome de Matheus já está confirmado para o elenco da próxima novela da emissora, ‘‘Mandacaru’’. O papel ainda não foi definido, mas o ator garante que será maior do que o sinhozinho Xavier.
Avancini descobriu Matheus em 1995, quando o rapaz fazia o programa ‘‘Hugo’’, na CNT. Antes mesmo de conseguir fazer este seu primeiro programa, Matheus fez de tudo um pouco. Teatro e cinema só chegaram depois de muita dificuldade. ‘‘Sou muito impulsivo e acredito na minha intuição’’, diz. Foi com esta filosofia que o ator conseguiu levar adiante sua vida profissional.
Matheus tinha apenas 12 anos, quando foi obrigado a acompanhar a família na mudança do interior de São Paulo, para a Capital. Passou do trabalho na carvoaria, com o pai, para cuidar da farmácia do tio na capital paulista. Aprendeu a aplicar injeção e fazer a manipulação de essências para remédios, como um farmacêutico profissional. Mas não foi difícil descobrir que esta não era a sua vocação.
Glamour, só em HollywoodMesmo sabendo que tinha muita vontade de se tornar ator, Matheus precisou seguir o caminho mais complicado para conseguir seu intento. Começou se inscrevendo numa pequena agência de modelos, já conhecida em São Paulo pela inoperância em relação aos seus profissionais.
Os negócios pareciam não andar bem para Matheus quando sua mãe conseguiu uma indicação para que integrasse uma agência de atores em São Paulo. Mesmo gostando da Companhia Dois Tons, onde está até hoje, não foi fácil para o ator conseguir emprego, já que a agência era especializada em crianças. Até o dia em que conseguiu passar num teste e fazer o seu primeiro comercial. ‘‘Depois do primeiro, não parei mais. Foram mais de 400. Tirei uma grana preta!’’, confessa.
Aliás, esse é um dos seus grande trunfos. Toda vez que está precisando de dinheiro, basta fazer um comercial para completar o orçamento. ‘‘Ou seja, não preciso me esforçar para estar na mídia dando entrevistas frequentes, como os outros atores’’, gaba-se. Incomodado com a exposição em órgãos de imprensa, Matheus prefere não se deslumbrar com o sucesso momentâneo. ‘‘Acho que o glamour que os artistas têm na televisão brasileira só se justificaria em Hollywood’’, analisa.

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