UM ÍCONE PUNK NA CIDADE
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sexta-feira, 20 de julho de 2001
Carolina Avansini De Londrina 
Podia ser mais um filme sobre fãs de música pop e adjacências, mas aconteceu em Londrina na semana passada. Durante o show do grupo local The Cherry Bomb, que abria a noite para os veteranos paulistas do Cólera na casa de shows Porteira, o guitarrista e vocalista inglês Pete Shelley subiu ao palco e tocou, junto com os londrinenses, algumas de suas mais célebres canções.
Para quem não conhece, Shelley é integrante da banda inglesa Buzzcocks, uma das mais importantes do cenário punk rock mundial. Ao lado de ícones como Sex Pistols e The Clash, ele colaborou para impulsionar, na década de 70, o movimento que mudou os destinos do rocknroll.
Sua performance em Londrina surpreendeu o público e extasiou os integrantes do The Cherry Bomb, fãs assumidos e francamente influenciados pelos ingleses. É muita honra, não cansava de repetir o vocalista e baixista Rodrigo Amadeu.
Mas, afinal, o que Pete Shelley está fazendo por aqui? Vim rever uma garota que conheci na cidade durante nossa turnê na América Latina, ele respondeu, referindo-se aos shows que realizaram no Brasil e na Argentina há três semanas e que incluíram Londrina e Curitiba no roteiro.
Para o guitarrista, não é um fato extraordinário. Depois que voltamos para a Inglaterra, tiramos férias e cada um tomou um destino diferente. Resolvi vir para Londrina porque é um lugar ótimo e tem muita gente legal, contou.
Vinte e cinco anos após tocar os primeiros acordes frente ao Buzzcocks, Shelley evidencia que mantém vivo o espírito punk ao explicar porque subiu ao palco com The Cherry Bomb. Ser punk é fazer o que você está a fim e é isso que tentamos manter até hoje.
Para deleite dos músicos londrinenses, ele considerou muito boa a performance no Porteira. Normalmente, as pessoas tocam as músicas do Buzzcocks mais devagar do que deveriam. Os caras tocaram na velocidade certa e, algumas vezes, rápido demais, elogiou. O show extra, aliás, não contou com qualquer tipo de ensaio. Alguns minutos antes, combinamos os acordes. Definitivamente, não precisa ser o Buzzcocks para interpretar músicas do Buzzcocks.
Pete Shelley volta para Londres depois de amanhã. Quando chegar em casa, tem o compromisso de escrever músicas para o novo disco que a banda pretende gravar. Já temos sete ou oito canções prontas, adiantou. Londrina, quem sabe, seja tema de alguma nova música.
Dando continuidade à tradição iniciada em 1976, quando lançaram o primeiro disco punk independente do planeta, Spiral Scratch, a banda inglesa não tem contrato prévio com nenhuma gravadora. Primeiro gravamos o álbum e depois o ofereceremos para quem se interessar. É uma forma de obter um trabalho independente, sem influências, argumentou.
Questionado sobre que tipo de música tem escutado ultimamente, Shelley brincou: The Cherry Bomb e 3 Cool Chicks, referindo-se aos grupos locais de seus amigos londrinenses. Mais sério, ele explicou que não ouve novas bandas o tempo inteiro. As pessoas deviam prestar mais atenção nas músicas velhas, ao invés de ficarem atrás de todas as novidades que aparecem nas lojas de discos. Um de seus passatempos, aliás, é ouvir álbuns muito antigos em um gramofone que ele comprou há quatro anos. Música clássica também integra alguns títulos de sua discoteca.
Entre os discos de seus contemporâneos do auge do punk rock, ele conta que possui o álbum The Clash, da mesma banda e Never Mind The Bollocks, do Sex Pistols. Não ouço música o tempo todo, no sentido de por um disco para tocar. A maioria das vezes, as canções tocam dentro da minha cabeça. E quando eu as escuto ao vivo, não acho tão legal quanto na imaginação.


