É difícil deixar de notar a presença de Bussunda. Mesmo entre os bizarros integrantes do ''Casseta & Planeta, Urgente!''. Afinal, o humorista, batizado como Cláudio Besserman Vianna, chama a atenção pelo corpanzil de aproximadamente 120 quilos. No entanto, conversar com Bussunda é uma surpresa. Ele é um tímido inveterado e só após alguns minutos de bate-papo começa a se soltar. Dono de uma voz pausada e gestos lentos, o humorista é capaz de falar seriamente por alguns instantes, mas não demora a soltar piadas com um risinho no canto da boca. Sobre a vitalidade dos ''cassetas'' após uma década, desde que estrearam o ''Casseta & Planeta, Urgente!'' na Globo, Bussunda é taxativo. ''Somos espada. Resolvemos problemas com gritos e tapas na mesa. Falta o componente da viadagem para alguém querer sair do grupo'', gaba-se.
Na verdade, existem bons motivos para os ''cassetas'' se manterem unidos. Além dos salários de cada um na Globo, a empresa Toviassu, que gerencia os negócios do grupo, movimenta em torno de R$ 2 milhões por ano. Os humoristas já venderam, por exemplo, 600 mil exemplares de sete livros, possuem um dos sites mais populares da Internet, com mais de 500 mil visitas por mês, e têm mais de 15 produtos licenciados.
O ''Casseta & Planeta, Urgente!'' está completando uma década de Globo. Até que ponto o grupo depende do programa?
Se o programa na Globo acabar por algum motivo, provavelmente faríamos um filme por ano, montaríamos um espetáculo para correr o Brasil e pelo menos mais dez anos de fôlego a gente teria. Isso sem ir para outra emissora. Porque já somos famosos. Quando a gente também estiver muito feio para aparecer na tevê, continuaremos como autores de humor.
Nunca houve a real possibilidade de algum dos integrantes deixar o ''Casseta''?
Não. Já aconteceu do grupo querer expulsar alguém... Mas a gente é espada. Resolvemos as coisas no grito, com tapas na mesa... Falta o componente da viadagem que faria alguém pular fora do grupo. Ninguém fica magoadinho... Viemos de uma amizade antiga e gostamos do nosso trabalho. Mais das realizações do que da fama. A nossa ligação é com o humor bem-feito. Estamos num período de ''vacas magras'', mas todo mundo adora quando gastamos uma fortuna para fazer uma piada babaca. Isto dá um grande prazer. Como a Campanha do Pum, em que reunimos um monte de artistas para cantar uma música boba. Este tipo de coisa é mais legal do que querer fazer sucesso.
Você arriscaria analisar o humor atualmente na televisão?
''Os Normais'' foi uma renovação bacana, pois ultimamente não se tinha conseguido uma sitcom nacional de qualidade. ''A Grande Família'' voltou bem também. Já ''A Praça É Nossa'' é tradicional e tem público. Dificilmente vai acabar porque dá ibope. A minha dificuldade em relação a programas como ''A Praça'' é que eles são parecidos. Normalmente gosto muito de alguns personagens e pouco de outros. Mas deve ter muita gente que assiste ao ''Casseta'' assim também. Tem personagens ou quadros que a pessoa não gosta e vai mudar de canal. Já a questão do bordão é relativa. Quando se gosta do personagem e do bordão, pode-se ver aquilo a vida inteira. Com a Velhinha Surda do falecido Roni Rios nunca consegui não rir.
Qual o limite para se fazer uma piada na Globo?
Cada caso é um caso. O nosso desafio sempre foi estender os limites seja aonde for. Sempre forçamos os limites da própria Globo. Estreamos na emissora no Carnaval de 1990. Lembro que não podia pronunciar a palavra bunda, então a gente falava ''vamos escolher o melhor lombo do Carnaval...'' Lá pelas duas horas da manhã, ao vivo, a gente falou: ''Estamos escolhendo o melhor lombo porque não podemos falar bunda''. Aí o Boni ligou: ''Gostei, ficou engraçado. Pode falar bunda''. Aí comemoramos. ''Porra, liberamos a bunda na Globo''. Confesso que temos orgulho de estar há 10 anos no ar na Globo. Até hoje as pessoas perguntam como a emissora deixa a gente no ar.

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