Um herói sem afetação
O diretor André Sturm sempre teve vontade de rodar um filme com um personagem histórico, dentro de um momento igualmente interessante. Quatro anos atrás, lendo um trabalho sobre Louis Pasteur soube que Moacyr Scliar tinha escrito um livro abordando a vida de Oswaldo Cruz. Imediatamente foi atrás da obra, já pensando em adaptá-lo para a tela.
Sonhos Tropicais sustenta-se em três aspectos básicos, segundo Sturm: o de contar as vidas dos personagens; mostrar a transição de um Brasil arcaico em direção à modernidade e lançar um olhar sobre o País que 100 anos depois apresenta-se imutável em sua essência. As coisas não mudaram muito, as relações não mudaram, os problemas continuam os mesmos, disse para a Folha 2.
O protagonista do filme, antes de tudo, é um homem marcado pela determinação e ousadia. O diretor não o coloca no panteão dos heróis com o biotipo de semideus. Oswaldo Cruz tem suas qualidades, defeitos e sonhos. É um homem com enorme determinação para enfrentar a todos que se opõe a ele. Mas, como todo ser humano, sente insegurança, vive seus dramas íntimos.
Esse é o retrato do sanitarista que foi, antes de tudo, um visionário um cara que realmente via longe, e era especialmente determinado , com uma existência de altos e baixos, reflete o todo da obra. André Sturm quer que o seu primeiro longa-metragem seja um filme humano, quente, real.
Como a ambientação é o Rio de Janeiro, o calor está não só na temperatura climática, mas também nas cores dos figurinos, cenários e na própria população. O traço da personalidade do carioca é marcado pela extroversão e alegria. Vai ser um filme com muitas locações, muitos atores. Isso me dará trabalho, mas ao mesmo tempo me anima, estimula. Principalmente porque estou com uma equipe técnica e elenco que são muito bacanas.(Z.C.L.)





