Um galã com os pés bem firmes no chão
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segunda-feira, 02 de fevereiro de 2009
Miguel Arcanjo Prado<br> Folhapress 
Ao contrário de seu personagem Raj (Caminho das Índias) que vive um conflito com a família por querer se casar com a mulher brasileira que ama, brigas com os pais não fizeram parte do cotidiano do adolescente Rodrigo Lombardi. ''Sempre fui um cara pacato e, poucas vezes, vivi o drama de querer uma coisa que meus pais não queriam'', revela o ator, que completa o triângulo amoroso do núcleo principal da novela ao lado de Márcio Garcia (Bahuan) e Juliana Paes (Maya).
Apaixonado por cinema, sapateado e Frank Sinatri, Lombardi, 32 anos, sempre quis ser ator. ''Comecei no teatro com 18 para 19 anos. Sempre me interessei por artes''. Mas foi no Grupo Tapa, um dos mais respeitados da cena teatral paulistana, que Lombardi achou seu caminho. ''Estava sem dinheiro e ia sair do grupo porque não podia pagar o curso. Então fui ser contrarregra e assistente de iluminação'', lembra. Essa foi uma época difícil para Lombardi, de grandes apertos financeiros.
Por conta dessa trajetória de vida, Lombardi, que já passou por Band, SBT e Record, não se infla com o cobiçado posto de galã global. ''Não imagino como uma pessoa possa levar o papel que faz na novela para a vida. A gente pode aprender com o personagem, mas é preciso saber entrar e sair do glamour e do universo da TV. Isso não é a vida de verdade. A vida é o arroz com feijão, pagar contas no banco, a realidade é clara para mim. Só vai para o outro universo quem não consegue encarar a realidade'', afirma, categórico.
''No teatro, por mais que você faça sucesso, depois do aplauso, volta à realidade, tem de ajudar o amigo a guardar o baú com os figurinos, ajudar o iluminador a tirar o refletor que queimou. É isso que me dá o pé no chão. Eu vivi essa realidade no teatro. A gente vê que na TV é um glamour danado, mas volta para casa e é tudo igual. Eu levo minha vida, como o caixa de banco leva a dele, o jornaleiro, o açougueiro'', afirma o ator, que mora na Barra da Tijuca, no Rio, há quatro anos.
O ator conta que a viagem de 25 dias à Índia foi fundamental para desenvolver o personagem. ''Precisávamos estar muito seguros para filmar nas ruas indianas. Porque o inusitado poderia virar o protagonista da cena, como, de repente, um elefante ou um camelo cruzar nosso caminho e termos de continuar o diálogo, porque a cena estaria valendo'', conta.
O único senão foram as saudades do filho Rafael, que completou um ano no dia 14 deste mês. A criança é fruto do casamento com a maquiadora Betty Baumgarten. E é justamente na Índia que Lombardi encontrou a definição para a relação que deseja ter com Rafael. ''Há um pensamento que diz que o filho deve respeitar o pai, porque ele já caminhou bem mais''.


