Um francês de coração afro-brasileiro
France Press
Arquivo FolhaPierre Verger, o homenageado: um dos homens que mais se identificou com a cultura negraFaltando menos de uma semanas para o início do Carnaval carioca, os carnavalescos da Escola de Samba União da Ilha do Governador aceleram seus trabalhos para concluir a tempo os gigantescos carros alegóricos e as fantasias do enredo que vão prestar homenagem a Pierre Verger - etnólogo francês de nascimento e afro-brasileiro de coração. Em 1946, Verger chegou a Salvador e lá viveu até morrer, em 1996.
Está quase tudo pronto. Cerca de 150 pessoas estão trabalhando na confecção de seis carros alegóricos que pesam oito toneladas cada um - garante Milton Cunha, 35 anos, o carnavalesco da União da Ilha.
O principal carro da escola, um navio negreiro, cuja figura de proa é a cabeça do fotógrafo e etnólogo francês, abrirá o desfile no Sambódromo do Rio de Janeiro no próximo dia 22.
O espetáculo da União da Ilha, intitulado Fatumbi, a Ilha de Todos os Santos, contará a vida de Pierre Verger Fatumbi, um dos homens que mais se identificou com a cultura negra e comprovou que é possível a coexistência de culturas tão diferentes.
Sou idiota francês racionalista, disse Verger, em uma de suas últimas entrevistas, ao deplorar o fato de jamais ter conseguido entrar em transe, um dos estados alcançados em rituais africanos.





