Luiza Dantas/Carta Z NotíciasJosé Mayer: ‘‘Gosto de tirar de dentro de mim mesmo os artifícios para o personagem’’José Mayer pode não ser nenhum símbolo de beleza perfeita, mas consegue arrancar suspiros do público feminino. O jeito másculo do ator se tornou mercadoria valorizada na tevê. Recentemente, as emissoras têm sido criticadas por apostar na beleza apolínea dos modelos e manequins para tentar criar novos galãs. Mas esse não é o caso de Mayer. Aos 48 anos de idade, o ator empresta todo o seu charme para Teobaldo Faruk, o misterioso forasteiro de ‘‘A Indomada’’. ‘‘O personagem vem para ser amado’’ - aposta Mayer.
Criado por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, Teobaldo tem tudo para agradar. Com uma maquiagem em tons de terra e lentes de contato verde, o personagem de Mayer, que é descendente de egípcios, chegou em Greenville provocando estardalhaço. ‘‘Não me considero um homem de cara bonita, mas o personagem está incrível’’- gaba-se o ator.
Para compor este personagem, José Mayer garante que não teve nenhuma dificuldade. Segundo ele, bastou ler um pouco sobre a cultura da ascendência de Teobaldo e tratar de decorar suas falas, que ele garante não serem poucas. Porém, o ator não nega que esse seja um papel bem trabalhoso. ‘‘Não sou ator de composição. Gosto de tirar de dentro de mim mesmo os artifícios para o personagem’’- afirma.
Mayer ainda vai mais longe. Segundo ele, fazer laboratórios para composição dos personagens é coisa dispensável. Seguindo essa teoria ao longo dos seus 28 anos de carreira, Mayer já atuou em nove filmes, dentre eles, ‘‘Nunca Fomos Tão Felizes’’, de Murilo Salles, e ‘‘Capitalismo Selvagem’’, de André Klotzel. Faz frequentemente teatro, onde começou a carreira, e há 14 anos está na tevê.
Novelas e minisséries ‘‘A Indomada’’ é a 12ª novela em que Mayer trabalha. Isso sem falar das minisséries e de outros programas televisivos, como a participação recente em vários episódios de ‘‘A Vida Como Ela ɒ’, baseado nas crônicas de Nelson Rodrigues publicadas na década de 50 no jornal carioca Última Hora. ‘‘Era um trabalho muito bem elaborado’’ - avalia.
Sobre o programa, inclusive, Mayer é todo elogios. Mas não somente para os admiráveis textos de Nelson Rodrigues. Ele conta que já havia interpretado personagens de alguns textos do polêmico jornalista e escritor antes, porém, para ele, atuar sob a batuta de Daniel Filho foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Mayer garante que o que ele mais quer na profissão é poder trabalhar com pessoas que sejam competentes no que fazem. Para o ator, o diretor Daniel Filho é um desses. ‘‘Aprendi muito com ele’’- afirma.
Disputado no tapa Quanto à última novela que fez, Mayer fala pouco. Sucesso de público e bombardeada pela crítica, ‘‘História de Amor’’, de Manoel Carlos, não acrescenta muita coisa ao currículo do ator. Na novela das seis, que ficou no ar até o início do ano passado, ele interpretou o bonzinho e indefinido Dr. Carlos. ‘‘Ele era um homem que não existe. Até eu me apaixonaria por ele’’, analisa Mayer.
O ator normalmente interpreta homens bastante disputados pelas mulheres, como foi o caso em ‘‘História de Amor’’. Na novela de Manoel Carlos, Helena, vivida por Regina Duarte, chegou a sair no tapa com Paula, interpretada por Carolina Ferraz, pelo amor de Carlos. O mesmo aconteceu em ‘‘Agosto’’, baseada no romance de Rubem Fonseca. Na minissérie, Mayer era o comissário de polícia Mattos, que era disputado por Alice, personagem de Vera Fischer, e Salete, vivida por Letícia Sabatella. Ao contrário, porém, da grande maioria dos personagens que viveu, o ator se mostra bastante estável sentimentalmente. Mayer mora há 22 anos com a atriz Vera Fajardo.
Receita de sucesso Para José Mayer, além de estar fazendo o protagonista da novela das oito da Globo, ‘‘A Indomada’’ está lhe dando muito mais. Para ele, o que está sendo muito bom é a oportunidade de voltar a viver um personagem criado por Aguinaldo Silva. ‘‘Trabalhar com ele é sinônimo de sucesso’’ - avalia. Afinal, foi interpretando personagens criados por Aguinaldo que Mayer conseguiu popularidade. Jorge Fernando, em 83, na minissérie ‘‘Bandidos da Falange’’, foi um deles. Além disso, no ano seguinte, o ator atuou em ‘‘Partido Alto’’, e cinco anos mais tarde, em 88, ganhou fama ao interpretar o caliente Osnar em ‘‘Tieta’’, ambas novelas do mesmo autor.
Mas não é só isso. O ator está adorando outros reencontros que a novela está lhe proporcionando. Fazer novamente par romântico com Adriana Esteves é um deles. Em 90, os dois conquistaram o público com a polêmica do homem mais velho viver uma grande paixão, e ser correspondido, pela amiga de sua filha - papel de Mylla Christie - em ‘‘Meu Bem, Meu Mal’’, de Cassiano Gabus Mendes. Os diretores Paulo Ubiratan, Marcos Paulo e Roberto Naar também estão na lista dos favoritos de Mayer. ‘‘Normalmente eles jogam para ganhar’’, acredita o ator.
Projetos futuros Segundo José Mayer quando um ator está fazendo uma novela, dificilmente sobra tempo para fazer outras coisas. Principalmente quando o personagem que está fazendo é o protagonista da trama. Por isso, até setembro deste ano o ator não vai ter muito tempo ocioso. Pelo contrário. Ele, inclusive, teve que recusar alguns convites em função de ‘‘A Indomada’’. Os filmes ‘‘A Hora Mágica’’, de Guilherme de Almeida Prado, e ‘‘O Caso Morel’’, que seria dirigido por Suzana Amaral, foram alguns deles. ‘‘Projetos nunca faltam, mas tem horas que não dá para fazer tudo’’ - gaba-se.
O ator prefere não comentar muito sobre o futuro. Até porque tem medo de agourar seus planos. Mayer adianta somente que depois que a poeira da novela baixar, ou seja, mais para o final, é que vai poder pensar em outros trabalhos. Porém, avisa que já está lendo um texto para o teatro e que cinema também é uma de suas metas. Mas, sobre o projeto da série para tevê ‘‘Navio Esperança’’, produzida por Bruno Stroppiana e com roteiro de Antônio Carlos da Fontoura, Mayer é categórico. ‘‘Este certamente está nos meus planos’’ - garante.

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