Um forasteiro muito másculo
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de fevereiro de 1997
Márcia Basílio TV Press 
Luiza Dantas/Carta Z NotíciasJosé Mayer: Gosto de tirar de dentro de mim mesmo os artifícios para o personagemJosé Mayer pode não ser nenhum símbolo de beleza perfeita, mas consegue arrancar suspiros do público feminino. O jeito másculo do ator se tornou mercadoria valorizada na tevê. Recentemente, as emissoras têm sido criticadas por apostar na beleza apolínea dos modelos e manequins para tentar criar novos galãs. Mas esse não é o caso de Mayer. Aos 48 anos de idade, o ator empresta todo o seu charme para Teobaldo Faruk, o misterioso forasteiro de A Indomada. O personagem vem para ser amado - aposta Mayer.
Criado por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, Teobaldo tem tudo para agradar. Com uma maquiagem em tons de terra e lentes de contato verde, o personagem de Mayer, que é descendente de egípcios, chegou em Greenville provocando estardalhaço. Não me considero um homem de cara bonita, mas o personagem está incrível- gaba-se o ator.
Para compor este personagem, José Mayer garante que não teve nenhuma dificuldade. Segundo ele, bastou ler um pouco sobre a cultura da ascendência de Teobaldo e tratar de decorar suas falas, que ele garante não serem poucas. Porém, o ator não nega que esse seja um papel bem trabalhoso. Não sou ator de composição. Gosto de tirar de dentro de mim mesmo os artifícios para o personagem- afirma.
Mayer ainda vai mais longe. Segundo ele, fazer laboratórios para composição dos personagens é coisa dispensável. Seguindo essa teoria ao longo dos seus 28 anos de carreira, Mayer já atuou em nove filmes, dentre eles, Nunca Fomos Tão Felizes, de Murilo Salles, e Capitalismo Selvagem, de André Klotzel. Faz frequentemente teatro, onde começou a carreira, e há 14 anos está na tevê.
Novelas e minisséries A Indomada é a 12ª novela em que Mayer trabalha. Isso sem falar das minisséries e de outros programas televisivos, como a participação recente em vários episódios de A Vida Como Ela É, baseado nas crônicas de Nelson Rodrigues publicadas na década de 50 no jornal carioca Última Hora. Era um trabalho muito bem elaborado - avalia.
Sobre o programa, inclusive, Mayer é todo elogios. Mas não somente para os admiráveis textos de Nelson Rodrigues. Ele conta que já havia interpretado personagens de alguns textos do polêmico jornalista e escritor antes, porém, para ele, atuar sob a batuta de Daniel Filho foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Mayer garante que o que ele mais quer na profissão é poder trabalhar com pessoas que sejam competentes no que fazem. Para o ator, o diretor Daniel Filho é um desses. Aprendi muito com ele- afirma.
Disputado no tapa Quanto à última novela que fez, Mayer fala pouco. Sucesso de público e bombardeada pela crítica, História de Amor, de Manoel Carlos, não acrescenta muita coisa ao currículo do ator. Na novela das seis, que ficou no ar até o início do ano passado, ele interpretou o bonzinho e indefinido Dr. Carlos. Ele era um homem que não existe. Até eu me apaixonaria por ele, analisa Mayer.
O ator normalmente interpreta homens bastante disputados pelas mulheres, como foi o caso em História de Amor. Na novela de Manoel Carlos, Helena, vivida por Regina Duarte, chegou a sair no tapa com Paula, interpretada por Carolina Ferraz, pelo amor de Carlos. O mesmo aconteceu em Agosto, baseada no romance de Rubem Fonseca. Na minissérie, Mayer era o comissário de polícia Mattos, que era disputado por Alice, personagem de Vera Fischer, e Salete, vivida por Letícia Sabatella. Ao contrário, porém, da grande maioria dos personagens que viveu, o ator se mostra bastante estável sentimentalmente. Mayer mora há 22 anos com a atriz Vera Fajardo.
Receita de sucesso Para José Mayer, além de estar fazendo o protagonista da novela das oito da Globo, A Indomada está lhe dando muito mais. Para ele, o que está sendo muito bom é a oportunidade de voltar a viver um personagem criado por Aguinaldo Silva. Trabalhar com ele é sinônimo de sucesso - avalia. Afinal, foi interpretando personagens criados por Aguinaldo que Mayer conseguiu popularidade. Jorge Fernando, em 83, na minissérie Bandidos da Falange, foi um deles. Além disso, no ano seguinte, o ator atuou em Partido Alto, e cinco anos mais tarde, em 88, ganhou fama ao interpretar o caliente Osnar em Tieta, ambas novelas do mesmo autor.
Mas não é só isso. O ator está adorando outros reencontros que a novela está lhe proporcionando. Fazer novamente par romântico com Adriana Esteves é um deles. Em 90, os dois conquistaram o público com a polêmica do homem mais velho viver uma grande paixão, e ser correspondido, pela amiga de sua filha - papel de Mylla Christie - em Meu Bem, Meu Mal, de Cassiano Gabus Mendes. Os diretores Paulo Ubiratan, Marcos Paulo e Roberto Naar também estão na lista dos favoritos de Mayer. Normalmente eles jogam para ganhar, acredita o ator.
Projetos futuros Segundo José Mayer quando um ator está fazendo uma novela, dificilmente sobra tempo para fazer outras coisas. Principalmente quando o personagem que está fazendo é o protagonista da trama. Por isso, até setembro deste ano o ator não vai ter muito tempo ocioso. Pelo contrário. Ele, inclusive, teve que recusar alguns convites em função de A Indomada. Os filmes A Hora Mágica, de Guilherme de Almeida Prado, e O Caso Morel, que seria dirigido por Suzana Amaral, foram alguns deles. Projetos nunca faltam, mas tem horas que não dá para fazer tudo - gaba-se.
O ator prefere não comentar muito sobre o futuro. Até porque tem medo de agourar seus planos. Mayer adianta somente que depois que a poeira da novela baixar, ou seja, mais para o final, é que vai poder pensar em outros trabalhos. Porém, avisa que já está lendo um texto para o teatro e que cinema também é uma de suas metas. Mas, sobre o projeto da série para tevê Navio Esperança, produzida por Bruno Stroppiana e com roteiro de Antônio Carlos da Fontoura, Mayer é categórico. Este certamente está nos meus planos - garante.


