Curitiba Engana-se quem ainda acredita que um vasto equipamento fotográfico e um extenso manual técnico vão transformar um amante da fotografia em um profissional qualificado. Muitas vezes, uma boa fotografia requer muito mais um olhar diferenciado do que uma técnica apurada. Para provar a máxima, cerca de 20 pessoas, profissionais das mais diversas áreas, mostram os seus trabalhos fotográficos a partir de hoje, no Espaço Cultural Beto Batata, em Curitiba. A mostra é resultado do primeiro semestre de cursos do Núcleo de Estudos da Fotografia de Curitiba, coordenado pela fotógrafa Milla Yung.
Há seis meses, de volta de uma temporada de estudos fotográficos que durou um ano, nos Estados Unidos, Milla Yung decidiu montar o Núcleo, numa tentativa de ampliar o debate sobre a fotografia documental. ''Eu queria trabalhar a fotografia como um meio e não como um fim'', revela a fotógrafa. Depois de trabalhar um longo período com fotojornalismo, Milla decidiu driblar os desafios e abrir um espaço que, além de ensinar o lado técnico da fotografia, também ensina a refletir sobre a imagem que está sendo (re) produzida.
O resultado é a aproximação da técnica fotográfica com áreas como a história, a sociologia, o design, a arquitetura e (até) a poesia. ''O fotógrafo precisa ter uma habilidade completa, ver a possibilidade de tirar do cotidiano elementos para o seu trabalho'', diz Milla. As 140 imagens que integram a mostra podem explicar essa vertente.
As fotografias foram tiradas por alunos dos cursos oferecidos pelo núcleo, sempre com uma proposta definida por eles e acompanhada pelos professores. São imagens que retratam o cotidiano de Curitiba e personagens da cidade, mas sempre com uma visão bastante peculiar. Milla observa que o lado artístico não foi avaliado na seleção das fotos, já que muitos autores não tem conhecimentos profissionais da fotografia.
A primeira mostra do Núcleo de Estudos da Fotografia inaugura o caráter de espaço cultural da casa anexa ao Bar Beto Batata. Futuramente, o casarão de dois andares vai dedicar cada um de seus cômodos para outras linguagens artísticas, como a música, a literatura, o vídeo e a poesia. Robert Amorim, o Beto Batata, adianta que a idéia é transformar o local num espaço de discussão da cena cultural, aliado a outras exposições que já estão sendo agendadas.
Serviço:
1 Mostra do Núcleo de Estudos da Fotografia. Coletiva de fotos sob coordenação de Milla Jung. Abertura hoje, às 20 horas, com inauguração do Espaço Cultural Beto Batata (Rua Professor Brandão, 678 (41) 262-0840), em Curitiba.

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