Um filme que é pura revanche
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quinta-feira, 25 de março de 1999
Ana Lúcia do Vale Cult Press 
Mel Gibson personificou o bom moço por mais de duas décadas em Hollywood. Às vezes em personagens um tanto quanto enlouquecidos, como o policial Riggs, de Máquina Mortífera. Mas sempre muito bem-intencionados. Em O Troco- que estréia hoje no circuito nacional, incluindo Curitiba, Londrina e Maringá (ver programação nesta página) - Gibson é um tipo completamente sem caráter ou princípios. É até heróico em busca de uma vingança sem fim, mas absurdamente amoral.
O Troco é uma adaptação do livro The Hunter, de Richard Stark, que já havia dado origem ao clássico À Queima-Roupa, dirigido em 67 por John Boorman e protagonizado por Lee Marvin. O Troco marca a estréia capenga na direção de Brian Helgeland, que escreveu o roteiro de L. A. Cidade Proibida e também roteirizou O Troco ao lado de Terry Hayes, autor de Mad Max - Além da Cúpula do Trovão. Helgeland e Gibson já haviam trabalho juntos em Teoria da Conspiração. Apesar disso, os dois se desentenderam durante a produção. Helgeland acabou sendo afastado porque não concordava com a necessidade de refilmagem de algumas cenas, que foram refeitas por um diretor não creditado.
O Troco poderia muito bem ter sido dirigido por Quentin Tarantino, Robert Rodriguez ou John Woo. O filme é bem menos sanguinário do que À Queima-Roupa, mas tem ares de Pulp Fiction, A Balada do Pistoleiro ou A Outra Face. Para ajudar a adicionar uma atmosfera dos filmes noir, O Troco passou por um processo especial de descoloração por uso de solvente que fez com que as cores ficassem próximas ao preto-e-branco. O mesmo tratamento dado a Vidas Em Jogo, com Michael Douglas, recém-lançado por aqui.
Em O Troco, Mel Gibson é o ladrão e matador Porter, que juntamente com o comparsa Val, feito por Gregg Henry, o assassino de Dublê de Corpo, consegue roubar US$ 140 mil de integrantes da máfia chinesa. Na hora da divisão, Val resolve ficar com a bolada toda. Porter acaba levando duas balas nas costas e é deixado à própria sorte. Só que para azar de Val, obviamente, Porter sobrevive e resolve se vingar.


