Mel Gibson personificou o bom moço por mais de duas décadas em Hollywood. Às vezes em personagens um tanto quanto enlouquecidos, como o policial Riggs, de ‘‘Máquina Mortífera’’. Mas sempre muito bem-intencionados. Em ‘‘O Troco’’- que estréia hoje no circuito nacional, incluindo Curitiba, Londrina e Maringá (ver programação nesta página) - Gibson é um tipo completamente sem caráter ou princípios. É até heróico em busca de uma vingança sem fim, mas absurdamente amoral.
‘‘O Troco’’ é uma adaptação do livro ‘‘The Hunter’’, de Richard Stark, que já havia dado origem ao clássico ‘‘À Queima-Roupa’’, dirigido em 67 por John Boorman e protagonizado por Lee Marvin. ‘‘O Troco’’ marca a estréia capenga na direção de Brian Helgeland, que escreveu o roteiro de ‘‘L. A. Cidade Proibida’’ e também roteirizou ‘‘O Troco’’ ao lado de Terry Hayes, autor de ‘‘Mad Max - Além da Cúpula do Trovão’’. Helgeland e Gibson já haviam trabalho juntos em ‘‘Teoria da Conspiração’’. Apesar disso, os dois se desentenderam durante a produção. Helgeland acabou sendo afastado porque não concordava com a necessidade de refilmagem de algumas cenas, que foram refeitas por um diretor não creditado.
‘‘O Troco’’ poderia muito bem ter sido dirigido por Quentin Tarantino, Robert Rodriguez ou John Woo. O filme é bem menos sanguinário do que ‘‘À Queima-Roupa’’, mas tem ares de ‘‘Pulp Fiction’’, ‘‘A Balada do Pistoleiro’’ ou ‘‘A Outra Face’’. Para ajudar a adicionar uma atmosfera dos filmes noir, ‘‘O Troco’’ passou por um processo especial de descoloração por uso de solvente que fez com que as cores ficassem próximas ao preto-e-branco. O mesmo tratamento dado a ‘‘Vidas Em Jogo’’, com Michael Douglas, recém-lançado por aqui.
Em ‘‘O Troco’’, Mel Gibson é o ladrão e matador Porter, que juntamente com o comparsa Val, feito por Gregg Henry, o assassino de ‘‘Dublê de Corpo’’, consegue roubar US$ 140 mil de integrantes da máfia chinesa. Na hora da divisão, Val resolve ficar com a bolada toda. Porter acaba levando duas balas nas costas e é deixado à própria sorte. Só que para azar de Val, obviamente, Porter sobrevive e resolve se vingar.

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