Apesar de ser dirigido pelo competente Martin Campbell (que assinou ‘‘Golden Eye’’, o último James Bond), ‘‘A Máscara do Zorro’’ traz todos os ingredientes tradicionais que marcam as aventuras feitas pela produtora do filme, a Amblin. Não por acaso, ‘‘Zorro’’ é o maior tributo aos seriados dos anos 30 e 40 que Hollywood produz desde a trilogia de Indiana Jones, de Steven Spielberg, dono da Amblin.
Dizer que um filme de aventuras tem o estilo de Spielberg já é um elogio incondicional, mas ‘‘Zorro’’ merece mais. É uma produção rara, na qual todo mundo acertou a mão: diretor, roteirista, atores... Todos os esforços concluíram duas horas de diversão empolgante. E para qualquer idade. Diante da tarefa de refilmar uma história tão familiar ao público, a produção resolveu avançar no tempo. O filme começa com um Zorro já veterano, interpretado por Anthony Hopkins, ainda às turras com Don Rafael Montero, o governador espanhol que barbariza a Alta Califórnia. Montero descobre que Zorro é, na verdade, o senhor de terras Don Diego de La Vega e leva uma tropa para capturar o herói. O tirano mata a mulher de De La Vega, que vai para a prisão e vê sua filha Elena, ainda um bebê, ser levada por Montero.
Vinte anos depois, De La Vega foge da masmorra e vê a região mais uma vez sob ameaça de Montero, que passou muitos anos na Espanha. O pior para De La Vega é saber que Elena ainda vive, acreditando ser filha de Montero. Para a revanche com o homem que tirou dele tudo o que tinha de mais precioso, De La Vega encontra um ladrão andarilho, o vagabundo arrogante Alejandro Murieta (Antonio Banderas). De La Vega convence o rapaz a morar com ele e aprender todos os segredos para tornar-se o novo Zorro. O longo aprendizado de Murieta, com ecos evidentes das relações Obi Wan Kenobi/Luke Skywalker e Batman/Robin, concentra algumas das sequências mais divertidas do filme.
Depois de algum tempo, Murieta está pronto para assumir o papel de Zorro, enfrentando os soldados de Montero, e o de um nobre recém-chegado da Espanha, que tenta ganhar a confiança do tirano para descobrir seus planos. Como nobre, Muriete tenta seduzir Elena - sem saber que ela é filha de seu mentor. Como Zorro, ele enfrenta a moça em difíceis duelos, onde ela demonstra ter herdado a vocação do pai para a esgrima. Nos EUA, os críticos mais ranzinzas fizeram um único reparo: dizeram que o filme é ‘‘previsível’’. Por que o mocinho ganha do bandido e fica com a mocinha? Que bobagem. Alguém que vá ver o filme do Zorro e achar que ele não vai vencer o vilão e ficar com a bonitona está delirando.

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