Celso Mattos
De Londrina
Antes de entrar no cinema tome um copo de suco de maracujá e prepare o coração. As duas próximas horas serão de arrepiar até os mais céticos. ‘‘O Sexto Sentido’’ que teve pré-estréia no sábado, entra em cartaz hoje nos cinemas brasileiros (confira programação na página 4), prometendo deixar a platéia com a pulga atrás da orelha. Para manter o suspense na íntegra, o ideal seria que nenhuma linha fosse escrita sobre este intrigante thriller do jovem diretor e roteirista M. Night Shylaman. Mas o texto a seguir promete não estragar nenhuma das surpresas do filme, a não ser aquela já revelada pela campanha promocional: que se trata da história de um garoto que tem o dom de ver e conversar com os mortos.
Mas este é apenas um recurso usado pelo diretor para conduzir o espectador a um labirinto sobrenatural. O premiado psicanalista infantil Malcolm Crowe (Bruce Willis) é chamado para tratar do garoto Cole Sears (Haley Joel Osment), que apesar de não apresentar nenhum distúrbio mental, tem um comportamento estranho. O que ninguém sabe é que o menino guarda um grande segredo: pessoas que morreram de forma acidental e sem cumprir sua missão na terra, aparecem para ele e pedem que o garoto faça coisas que eles não tiveram tempo ou oportunidade de fazer, caso contrário, eles o machucam.
Nas mãos de um diretor menos habilidoso, ‘‘O Sexto Sentido’’ se perderia facilmente entre efeitos especiais e sustos gratuitos, mas não é isso o que acontece. Shyalman tece a história de forma econômica e surpreendente. Cuidadoso, não entrega nenhuma pista das surpresas do roteiro que conduz, aos poucos, o espectador para um final inesperado e intrigante. A conclusão é tão chocante que nos obriga a rebobinar o filme mentalmente para entender as respostas não apresentadas durante a projeção.
Outra coisa que muitos espectadores vão querer saber após a exibição, é quem é M. Night Shyalman, o diretor deste filmaço. Ele tem apenas 29 anos e traz no seu currículo apenas a produção infantil ‘‘Olhos Abertos’’. Mas já está sendo apontando pela crítica como uma grande promessa em Hollywood, ao lado de outros jovens cineastas como Doug Liman (‘‘Vamos Nessa’’), Paul Thomas Anderson (‘‘Boogie Nights’’) e We Anderson (‘‘Três É Demais’’).
Todo rodado na Filadélfia, cidade natal do diretor, a fotografia privilegia a arquitetura antiga das igrejas e fachadas que compõem a parte histórica da primeira capital dos Estados Unidos. ‘‘O Sexto Sentido’’ estreou nos cinemas norte-americanos em poucas telas e sem muita publicidade, mas acabou conquistando o público e virou hit a partir da propaganda boca a boca. Em três meses, faturou mais de US$ 250 milhões de dólares. A imprensa americana já está apostando que o filme será indicado ao Globo de Ouro e ao Oscar nas categorias de melhor diretor e roteiro. Mas o ator mirim Haley Joel Osment também está cotado na categoria de ator coadjuvante. Sua interpretação vale, no mínimo, três idas ao cinema. Há muitos anos não se via um desempenho infantil tão convicente. Ele carrega o filme inteiro nas costas, já que Bruce Willis faz apenas o suficiente.
Até os mais céticos sobre a existência de vida após a morte vão sair do cinema com dificuldade de explicar suas convicções. ‘‘O Sexto Sentido’’ faz um dos relatos mais impressionantes sobre o outro lado da vida. A grande diferença entre este filme e os vários outros que já abordaram este tema, é a originalidade e inteligência do roteiro, que é muito bem bolado. Assista e durma de luz apagada, se for capaz.

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