Um festival de talentos
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segunda-feira, 15 de julho de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Um imprevisto tirou a soprano Denise Sartori do recital de piano e canto que faria hoje no 22º Festival de Música de Londrina. Acometida de amigdalite, a cantora estará ausente do palco que vai reunir Vanessa Cunha (piano), Martha Herr (soprano), Achille Picchi (piano) e Henrique de Curitiba (piano) a partir de 20h30 no Teatro Marista.
O desfalque mudou toda a segunda parte do programa, mas não o humor dos demais participantes. ''Com a alteração, optei por escolher canções com os quais tenho mais intimidade, que fazem parte do repertório que cantarei em agosto em outro concerto. Será uma antecipação dos ensaios'' conta a soprano Martha Herr.
A primeira parte do recital é de piano-solo, com Vanessa Cunha executando peças de Edino Krieger (''Sonatina'', ''Moderato'' e ''Allegro''), Claudio Santoro (''3 Prelúdios'' e ''Tocata'') e Heitor Villa-Lobos (''Prole do Bebê nº1 movimentos Branquinha, Moreninha, Caboclinha, Mulatinha, Negrinha, A Pobrezinha, Bruxa e O Polichinelo'').
Vanessa, uma das pianistas mais elogiadas da nova geração, já venceu vários concursos nacionais e internacionais. Formou-se pela Universidade Federal de Goiás, concluindo seu mestrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente, realiza seu Doutorado na Universidade de Nova York.
Na Big Apple, foi também bolsista da Capes concluindo o Professional Studies na Manhattan School of Music. Em 1997 foi nomeada membro da Academia Brasileira de Letras e Música do Brasil. Não menos talentosa, a soprano Martha Herr divide as atenções do público hoje cantando na segunda parte do recital. Doutora em Música pela Universidade de Michigan (EUA), ela tem participado de diversos concertos e gravações pelo mundo, como solista e integrante de conjuntos.
Em 1990, foi eleita a cantora do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Oito anos depois, recebeu o prêmio Carlos Gomes. Em março passado, participou do espetáculo/ópera ''Antes Depois'', de Arrigo Barnabé e Tim Escala. Convidada do 22º FML, ela tem trabalhado 6 horas por dia como professora de canto. ''É um ritmo diferente, fervilhante, com atmosfera de panela de pressão e música saindo por todos os lados'' diz, empolgada.
Martha abre seu repertório com as peças ''Solfeggietto'' e ''Para um Mestre de Canto'', de Henrique de Curitiba (irmão do maestro e diretor artístico do FML, Norton Morozowicz), com acompanhamento deste ao piano. Na segunda música, eles prestam uma homenagem à professora de canto Valquíria Ferraz, que formou gerações em Londrina.
Em seguida, Martha interpreta ''Francesco Da Ramini (Inferno, Canto V Frammento) para voz solo'', de Achille Picchi, com o próprio autor ao piano. Picchi se apresentaria ontem no Festival como integrante do Trio Images. Já veio outras vezes à cidade como professor de piano. Assim como a soprano, foi premiado em 1997 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
Fechando o concerto, Martha canta composições de Luciano Gallet (''Morena, morena'') e M. Camargo Guarnieri (''Cinco Poemas de Alice'', ''Pedido'', ''E agora...só me resta a minha voz'', ''Não posso mais esconder que te amo'' e ''Promessa''). Segundo ela, a apresentação será a única do bloco de concertos eruditos do Festival com repertório exclusivamente brasileiro.


