Notável como são os grandes compositores, o Festival de Música de Londrina (FML) compôs uma obra de valor inestimável: a própria história. Em três décadas, influenciou e definiu a trajetória de muitos músicos, como Camilo Carrara. ''O festival marcou muito a minha vida. Depois de participar do evento londrinense e do Festival de Brasília, eu resolvi ser músico profissional'', destaca o violonista e multi-instrumentista paulistano, que já tocou com Paulo Moura, que morreu na semana passada, Alaíde Costa, Toquinho, Cida Moreira, Zizi Possi, entre outros.
A memória afetiva do músico que, desde 1983 participa do festival (este ano pela primeira vez como professor), ainda se empolga com a apresentação inesperada do irmão, Tiago Sormani, ao lado do clarinetista e saxofonista Paulo Moura, no palco do Teatro Ouro Verde.
''Na época, eu tinha uns 15 anos e o Tiago 10. Era considerado um prodígio, chamando a atenção de Moura que o convidou ao palco para tocar de improviso. O teatro veio abaixo. Mais tarde, eu mesmo tive a chance de gravar com o Paulo Moura e sempre me lembro daquela apresentação do meu irmão em um dos grandes momentos que vivi no festival'', conta Carrara.
O músico acrescenta que, na época, o festival durava um mês. Tempo suficiente para fazer amigos, que ainda encontra nos corredores do festival.
Carrara ressalta que o FML é uma convergência de visões diferentes sobre música do Brasil e do mundo. Uma rede de contatos que se torna um laboratório de aprendizagem intenso. ''O festival também é sempre muito divertido. Onde tem músico junto é sempre assim. É gente estudando no banheiro, pensando em música 24 horas por dia '', lembra Carara.
O londrinense Waldir Bertipaglia é contrabaixista solista da Orquestra da Ópera do Arizona (EUA), desde 2001, e também se considera fruto do FML. Em 1986, o londrinense era aluno de piano e foi apresentado ao contrabaixo no festival.
''O mais interessante para mim foi o meu primeiro concerto ao vivo no festival. Um dos primeiros com o maestro Norton Morozowicz e o irmão dele, Henrique de Curitiba'', lembra Bertipaglia que, desde 2002 tem voltado como professor do FML.
O músico ressalta a evolução de alguns alunos do festival, que se destacam em carreiras no exterior. Ele diz que, atualmente, o próprio festival é um exemplo do aumento da demanda de profissionais de música. Um movimento que em Londrina começou com o maestro Othonio Benvenuto.
''Benvenuto e o Norton são os criadores do festival, dando a oportunidade para jovens como eu terem contato com a música. Benvenuto realmente acreditava nesses jovens e tinha sempre um cuidado especial com eles. Uma figura marcante da nossa vida musical'', aponta Bertipaglia.
Adriana Pena também faz a sua estreia nos 30 anos do festival, como pianista que acompanha os coros infantil e juvenil. Para a musicista, o festival se tornou mais democrático ao longo dos anos, abraçando gêneros, como o chorinho e MPB.
''Antigamente, os interessados passavam por uma audição que escolhia os alunos dos cursos. Hoje, todos têm a oportunidade de participar no mesmo nível'', compara Adriana, que, além de conhecer amigos no festival, acompanhou relacionamentos que começaram no FML e acabaram em casamento.
A convivência com participantes de outras cidades e estados também é destacada por Adriana, que lembra quando a mãe adotou três músicos, que ficaram hospedados em sua casa.
''Minha mãe realmente adotou os músicos. O festival para mim teve grande influência na minha carreira, que seria diferente se não tivesse essa oportunidade'', avalia Adriana.
Confira a programação de hoje do FML na página 2.

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