Da Índia à Argentina: de todas as partes do mundo, em 2001 as mulheres desembarcaram na 58 Mostra Internazionale d'Arte Cinematográfica de Veneza. Na competição oficial mais importante, ''Venezia 58'', Mira Nair com ''Monsoon Wedding'' e Clare Peploe (produzida pelo marido Bernardo Bertolucci) com ''The Triumph of Love'' brigaram pelo Leão de Ouro apoiadas em temas com decisiva conotação feminista. Em outra mostra paralela importante, ''Cinema del Presente'', este ano pela primeira vez também competitiva, outras quatro diretoras. A inglesa Sandra Goldbach mostrou em ''Me Without You'' uma sólida amizade entre duas mulheres, desde a adolescência. A americana Jill Sprecher especula sobre a felicidade e como encontrá-la, em ''Thirteen Conversations About One Thing''. A francesa Marion Vernoux não mostra muita afeição por seus personagens-mulheres em ''Reines d'Un Jour'', filme centrado sobre o tema do casal e suas variações. E a portuguesa Teresa Villaverde transportou para ''Água e Sal'' um drama íntimo e pessoal dela mesma, envolvendo uma recente separação muito barulhenta com o marido, também cineasta - na verdade um mini-escândalo, nos bastidores do festival.
Na sempre agitada seção paralela ''Nuovi Territori'', espécie de arena onde desfilam experimentações ousadas e/ou excêntricas, obras das portuguesas Rita Azevedo (''Frágil Como o Mundo'') e Inês de Medeiros (''O Fáto Completo ou à Procura de Alberto''), da francesa Catherine Breillat (''Brève Traversée''), da chinesa Li Yu (''Jin Nian Xia Tian'', apresentado como primeiro ''filme lésbico'' realizado na China) e da israelense Ariella Azoulay (''Mal'Hach Hahistoria'').
Dos sete filmes programados para a árdua ''Settimana Della Critica'', três com assinatura de mulheres: o português ''Rasganço'', de Raquel Rodrigues Freire, o argentino ''Vagón Fumador'', de Veronica Chen e o hispano-americano ''Rain'', de Katherine Lindberg. Na programação de convidados especiais ''hors concours'', o belo documentário ''Pier Paolo Pasolini e la Ragione di un Sogno'', da atriz Laura Betti.
Entre as bravas intérpretes, destaque para a linda e amadurecida Nicole Kidman enfrentando fantasmas em ''The Others''. Elogios para Mira Sorvino, trocando identidades sexuais na farsa sentimental ''The Triumph of Love''. Incentivos para a jovem atriz Nassim Abdi, como a obstinada funcionária do governo do Irã à cata de eleitores desgarrados em ''O Voto é Secreto''. Aplausos para a premiada melhor atriz da mostra, a italiana Sandra Ceccarelli, brilhando em ''Luce dei Miei Occhi''. Menção muito especial para a deusa Maribel Verdú, virando a cabeça da dupla masculina em ''Y Tu Mamá También''. E um reconhecimento coletivo para as mulheres da família indiana de ''Monsoon Wedding'' e para as adolescentes perdidas de ''Bully''.(C.E.L.J.)

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