Um festival de acordes
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sexta-feira, 26 de abril de 2002
Nelson Sato Reportagem local 
Um café da manhã marcou, ontem, o lançamento do 22º Festival de Música de Londrina. Diferente do ano passado, quando o diretor artístico Norton Morozowicz chegou a anunciar sua saída do comando do evento, o clima na solenidade era de euforia entre anfitriões e convidados.
As incertezas orçamentárias da temporada anterior deram lugar a perspectivas otimistas com o planejamento das verbas previstas e maior apoio das instituições promotoras. Orçado em R$ 530 mil, o Festival será realizado de 6 a 20 de julho reunindo concertos, cursos, oficinas, palestras e simpósios.
Entre os destaques da programação figuram o Quinteto de Sopros Arcane, da Bélgica; o cantor Pery Ribeiro; o saxofonista francês Idris Boudrou e seu Quinteto de Jazz; o violonista Turíbio Santos; Joel Nascimento e seu Grupo de Choro; o Quinteto de Metais de São Paulo; e o grupo Lactomia de Percussão, de Salvador.
O aclamado violonista gaúcho Yamandú Costa está na lista de cotados, mas ainda não confirmou presença. A previsão é de que 50 concertos ocupem os diversos recantos da cidade. A maioria deles será realizada no Teatro Marista, já que o Cine Teatro Ouro Verde estará em reformas durante o Festival. Outro espaço, o Londrina Country Club, poderá abrigar um bom número de apresentações ao lado do Teatro Zaqueu de Melo e de outros palcos alternativos como o Circo Funcart, o Anfiteatro do Zerão, as praças públicas e o Calçadão.
A programação contará com extensões em Cambé e Ibiporã, as cidades circunvizinhas. Uma das surpresas será a realização de uma Mostra Londrina com apresentações de grupos locais como Neuma, Orquestra de Câmara Solistas de Londrina e a própria Orquestra Sinfônica da UEL. A parte reflexiva-educacional do FML será contemplada no VIII Simpósio Paranaense de Educação Musical e no V Encontro Regional-Sul da Associação Brasileira de Educação Musical ABEM.
Mantivemos os cursos e oficinas nas áreas de práticas interpretativas e vocais, porque sempre tiveram grande procura. A novidade deste ano é que renovamos em 90% o quadro de professores diz Magali Kléber, diretora pedagógica do evento. O tema escolhido para o Simpósio foi Educação Musical e Cidadania: a Formação do Educador Musical.
A proposta, segundo Magali, é discutir o novo papel desse profissional, que estaria atualmente passando por uma mudança de paradigmas e sendo convocado a nortear-se pelo compromisso social. Os painéis e cursos abordam tópicos como o mercado de trabalho, as novas tecnologias na educação musical, a formação continuada de professores e as diretrizes curriculares nos Cursos de Graduação em Música.
Um dos pontos altos da programação é o II Encontro Suzuki, que busca congregar alunos e professores adeptos do Método por meio da prática da música em conjunto. Outro destaque, a Oficina de Danças Brasileiras, será coordenada por Tião Carvalho e visa a refletir sobre a questão da identidade cultural. Já o curso de Laboratório em Captação de Áudio, ministrado por Pedro Franciscon, pretende introduzir os interessados na prática de gravação, edição e masterização de áudio.
As apresentações do Festival serão utilizadas como laboratório prático para o trabalho a ser realizado. Ainda na programação, a montagem do espetáculo Ópera do Malandro deverá atrair grande número de inscritos e despertar curiosidade do público em geral. Aqui, a versão do musical de Chico Buarque dá continuidade à série iniciada no ano passado com a peça Calabar, também de Chico.
No bloco de teoria musical, o curso Emergência do Rock and Roll e sua Evolução nas décadas de 50 e 60 é outro com apelo para conquistar vasto interesse. Será ministrado por Michael Budds. Magali Kléber salienta que uma das distinções do FML em relação aos demais festivais do gênero realizados no país é sua adesão à contemporaneidade. Estamos atentos às mudanças, não podemos nos fixar em modelos caducos europeus. Nossa ousadia está nessa busca da indentidade brasileira, na valorização de nosso patrimônio diz.
A atmosfera entre os organizadores é, de fato, de empolgação. Norton Morozowicz observa que no ano passado havia uma incógnita no montante de verbas que impedia qualquer planejamento. Não víamos saídas lembra. Mas felizmente tudo mudou para esta temporada. As instituições ligadas ao Festival saíram das promessas para efetivamente nos ajudar. Ele acrescenta que o Secretário de Cultura Bernando Pelegrini e a vice-reitora da UEL Vera Lúcia T. Suguihiro foram fundamentais nesse processo.
Do total de R$ 530 mil do orçamento, R$ 350 mil virão da Secretaria Estadual de Cultura e R$ 200 mil serão repassados pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Além desses recursos, estão previstos verbas da UEL (R$ 30 mil), do Fundo Nacional de Cultura e de emendas na Assembléia Legislativa.


