Um fenômeno ao violão
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quinta-feira, 11 de julho de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O ''Ronaldinho'' do violão brasileiro desembarca hoje no Festival de Música. Yamandú Costa, o fenômeno, é o convidado especial da ''Noite de Choros'' no Londrina Country Club.
A apresentação será comandada pelos bambas Joel Nascimento (bandolim), Jayme Vignoli (cavaquinho), Luiz Otávio Braga (violão de 7 cordas), Oscar Bolão (pandeiro) e Josimar Carneiro (violão) todos participantes do 22º FML, também, na condição de professores.
''O Yamandú fará uma participação conjunta na primeira parte do show. Depois ficará no centro, sozinho, provavelmente para tocar o repertório de seu disco'' anuncia Braga. O programa do espetáculo inclui músicas como ''Um a Zero'' de Pixinguinha, ''Serenata no Joá'' de Radamés Gnatalli, ''Brejeiro'' de Ernesto Nazareth, ''Meu Avô'' de Rafael Rabelo, e ''Primavera'' de Jacob Bittencourt.
Apesar da qualidade indiscutível da turma, é Yamandú quem catalisa as expectativas do público. A exemplo de Guinga, no ano passado, o virtuose gaúcho de 21 anos chega à cidade com potencial para atrair músicos e curiosos de todos os matizes para assistir à sua performance. Ganhador do Prêmio Visa de MPB / Instrumental, na última temporada, ele foi um dos artistas brasileiros mais aplaudidos do Free Jazz Festival 2001.
Há pouco, lançou seu primeiro CD-solo pela gravadora Eldorado (com distribuição da Sony). O disco, ''Yamandú'', é parte do prêmio pela conquista do Visa. O CD foi produzido pelo também violonista Maurício Carrilho. A crítica classificou-o de obra-prima ressaltando especialmente a fúria nas execuções, a ousadia dos improvisos e a combinação de perícia e intensidade.
Das 13 faixas do álbum, 7 são de sua autoria. Antes dele, Yamandú havia lançado o CD ''Dois Tempos'' (Acit), dividido com Lúcio Yanel. O argentino Yanel foi um de seus inspiradores quando criança. Costumava frequentar sua casa em Passo Fundo (RS) protagonizando milongas com seu pai, Algacir Costa, que morreu em 1997.
Ainda pirralho, Yamandú tocou em bailes e festivais nativistas. Na época, seu universo musical girava em torno das tradições folclóricas gaúcha e latino-americanas. Posteriormente, na adolescência, descobriu e se apaixonou por Radamés Gnatalli, Baden Powel e Raphael Rabello. Há quatro anos, mudou-se para São Paulo e depois para o Rio de Janeiro onde encontrou uma nova geração de músicos de choro todos frequentadores dos bares da Lapa.
A essa altura, já era chamado de ''jovem gênio'', ''Jimi Hendrix do violão'', ''o novo Raphael Rabello''. A comparação com este último vinha da precocidade de ambos e a opção pelo choro e a MPB tradicional como pilares de suas estéticas. Agora, com seu primeiro disco lançado, quer mostrar que tem sotaque próprio. Já engatilhou, inclusive, futuros projetos de gravações em parceria com diversos ilustres entre eles o veterano Dino Sete Cordas, o guitarrista baiano Armandinho, o saxofonista Paulo Moura e a nova turma do choro dançante.
A promessa é de um show impactante.


