TEATRO UM EVENTO PARA 100 MIL PESSOAS O 9º Festival de Teatro de Curitiba conta com o público pagante e também com o circulante que assiste aos espetáculos de rua Mauro FrassonVictor Aronis, Cássio Chamecki e Leandro Knopfholz da organização do festival: ‘‘Temos dificuldades a cada ano, a batalha não termina nunca’’ Zeca Corrêa Leite De Curitiba Na noite da próxima quinta-feira, a cena vai se repetir nas proximidades do Teatro Ópera de Arame – motoristas à procura de vagas, congestionamento, um público festivo invadindo o teatro. No palco o grupo Intrépida Trupe apresentará ‘‘Kronos’’, e ao final do espetáculo, já por volta da meia-noite, com espectadores elogiando ou criticando o que viram, estará consumado o batismo do 9º Festival de Teatro de Curitiba. Os produtores têm uma estimativa que cerca de 100 mil pessoas participarão do evento, contabilizando-se aí pagantes e circulantes (aquela faixa de público que assiste aos trabalhos de rua, vão às oficinas e feiras de arte promovidas pelo evento). A mostra oficial virá com 23 espetáculos, enquanto o fringe oferecerá outros 47, contra os 35 de 1999. Ao todo, 70 espetáculos à escolha da platéia durante dez dias. O empresário Victor Aronis, um dos responsáveis pelo empreendimento, acredita que esta será uma das melhores edições já realizadas. Em sua análise o festival cresceu, especialmente com o incremento das atividades associadas, que são os cursos, oficinas, exposições. Afinal, o FTC não se restringe apenas à mostra oficial, entende ele. ‘‘A idéia de crescimento, para nós, se dá na mostra paralela e nos eventos’’ – argumenta – ‘‘porque a oficial chegou ao limite de 20 a 24 espetáculos’’. Nos bastidores atuam diretamente 500 pessoas, mas se levar-se em conta as empresas terceirizadas, artistas e convidados esse número chega a 2 mil. Uma equipe está no momento trabalhando na Prisão Estadual de Piraquara (região metropolitana de Curitiba). O presídio, ainda em obras, receberá o elenco de ‘‘Apocalipse 1,11’’. A partir desta montagem a região metropolitana oficialmente integra-se ao festival. Nos últimos anos percebeu-se que os dez dias de teatro que envolvem a cidade têm um apelo muito maior sobre as pessoas. ‘‘A gente vinha sentindo que elas queriam ter alguma coisa do FTC para guardar de lembrança, dar de presente aos amigos. Então este ano procuramos incrementar o número de produtos com a marca do festival’’, explica Aronis. Desde camisetas, broches e canetas a mochilas escolares e até cartola, há uma vasta coleção de mercadorias produzidas especialmente para a época. Os preços variam de R$ 2,00 a R$ 15,00 Apesar de consolidado o Festival de Teatro de Curitiba ainda exige empenho de Victor Aronis, Cássio Chamecki e Leandro Knopfholz para decolar. ‘‘Temos dificuldades a cada ano, a batalha não termina nunca’’, afirma Victor. A grande novidade nesta edição-2000, diz ele, é a presença da Tim Celular como patrocinadora durante os próximos cinco anos. O contrato foi fechado e começa agora. ‘‘Isso nos dá tranquilidade; pelo menos durante cinco anos não precisaremos correr tanto’’. Os promotores já pensam no 10º Festival de Teatro, que coincidirá com a real passagem de século. Para comemorar a data eles estão idealizando um evento que seja comemorativo. Há planos de lançamento de selo do festival, a vinda de atrações internacionais, uma espécie de releitura dos dez anos, com a reedição dos melhores momentos. E, mantendo a característica do evento, trarão espetáculos novos, inéditos. ‘‘Essa é a nossa marca’’, afirma Aronis.