No ano passado, o ator Cláudio Heinrich esteve no Xingu, no Mato Grosso, para conhecer um pouco mais sobre a cultura do povo indígena. Lá, teve aulas de tupi-guarani e ainda deixou o cabelo crescer por quase um ano. Tudo para dar vida ao índio Tatuapu, protagonista da novela ‘‘Uga Uga’’, de Carlos Lombardi. Aos 25 anos, o ator considera este trabalho como o mais importante em quase dez anos de carreira televisiva. O ex-paquito do programa ‘‘Xou da Xuxa’’ pretende deixar de ser reconhecido apenas como Dado, personagem da primeira fase de ‘‘Malhação’’ que o transformou no campeão de correspondência da Globo. Na época, ele recebia uma média de 200 cartas por semana. ‘‘Acho que este trabalho veio numa boa hora. Hoje, me sinto um pouco mais preparado para interpretar um papel tão importante como este’’, afirma Cláudio.
Ele foi um dos primeiros atores a ser escalado para a novela das sete. Cláudio conta que o convite partiu do próprio autor Carlos Lombardi. Desde então, o ator passou a pesquisar a cultura indígena. ‘‘Não quero fazer feio’’, avisa Cláudio, embora reconheça suas limitações. ‘‘Tenho muito o que aprender ainda’’, completa. Na trama, seu personagem é filho de um casal de antropólogos, vividos por Marcos Frota e Denise Fraga. Os dois morrem chacinados num ataque indígena e o pequeno Adriano acaba sendo criado numa tribo, onde ganha o nome de Tatuapu. Só que ele é o único herdeiro do milionário, industrial do ramo de brinquedos, Nikos, papel de Lima Duarte, que passa a procurá-lo desesperadamente. ‘‘Meu personagem vai ser uma referência para novela’’, orgulha-se.
Quando esteve no Xingu por dez dias ao lado do diretor Alexandre Avancini, Cláudio ficou impressionado com a disciplina dos índios que vivem na aldeia do Mato Grosso. Tanto que considera esta viagem como um dos maiores aprendizados de sua vida. ‘‘Sem nenhum conforto e tecnologia, eles são mais civilizados do que nós, que vivemos na cidade grande e reclamamos de tudo’’, filosofa o ator. Outra característica dos habitantes de Xingu, segundo Cláudio, é a ingenuidade. Esta, inclusive, é uma das principais marcas de seu personagem. Além de ir ao Xingu, Cláudio também teve aulas de ginástica corporal com o professor Álvaro Romano. Como o personagem passa alguns momentos da história rastejando pelo matagal, ele teve de aprender a caminhar como tigre. ‘‘Este vai ser o lado cômico do Tatuapu’’, revela.
A língua indígena foi outra preocupação do ator. Nos primeiros capítulos da novela, ele fala em tupi-guarani e dialetos criados pelo próprio autor. A tradução do que o personagem vai estar dizendo vai ser feita pelos companheiros de cena e também por legendas. ‘‘Mas, quando for para cidade grande, no caso o Rio de Janeiro, ele vai começar a falar em português’’, antecipa. Como sentiu dificuldades em entender e aprender o tupi-guarani, Cláudio marcou um ‘‘encontro-aula’’, como ele mesmo classifica, com Stênio Garcia. O veterano ator da Globo, que acabou de interpretar um curandeiro na macrossérie ‘‘A Muralha’’, deu algumas dicas de postura e memorização de texto para Cláudio.
As primeiras cenas de ‘‘Uga Uga’’ foram realizadas em Miguel Pereira, na região serrana do Rio. Lá, Cláudio acabou cortando o pé e sofreu escoriações por todo o corpo. Tudo porque o personagem faz frequentes cenas de ação, já que acaba sendo perseguido pelos ‘‘capangas’’ do avô Nikos. Mas, ao chegar no Rio, Tatuapu acaba despertando a curiosidade de algumas mulheres, como Tatiana e Gui, vividas por Danielle Winits e Nívea Stelmann. ‘‘Como o Tatuapu é branquelão, as mulheres da aldeia não dão bola para ele. Mas, na cidade, ele vai fazer a festa’’, diverte-se o ator.
Nesta novela, Cláudio e Nívea Stelmann formam par romântico pela terceira vez – as duas primeiras foram em ‘‘Malhação’’ e ‘‘Era Uma Vez’’. ‘‘A gente já tem um entrosamento perfeito. Mas quero testar outros pares’’, planeja Cláudio. As demais mulheres da trama que vão se aproximar de Tatuapu estarão de olho apenas na polpuda herança do milionário vovô Nikos.
Paralelamente à novela ‘‘Uga Uga’’, Cláudio Heinrich desenvolve dois outros projetos: o de cantar e apresentar. Ele acabou de lançar um CD pop-romântico por uma gravadora independente e apresenta todos os sábados, na própria Globo, o programa ‘‘Globo Ecologia’’. Apesar do ritmo de gravações da novela estar intenso neste momento, o ator não pensa em deixar as outras duas funções. ‘‘O que fiz para dar uma aliviada em minha agenda foi cancelar shows e tardes de autógrafos’’, avisa Cláudio.
O CD, que faz parte do projeto ‘‘Atores que Cantam’’, ainda está em fase de divulgação. Ele está aguardando a novela dar uma deslanchada para recomeçar os shows. A carreira como músico foi despertada aos 16 anos, quando Cláudio ainda era um dos assistentes de palco de Xuxa. ‘‘Comecei a cantar despretensiosamente. Mas hoje quero seguir esta carreira também’’, planeja.
Já a chance de se tornar apresentador aconteceu no ano passado. Ele foi convidado pela direção do programa para assumir a apresentação do ‘‘Globo Ecologia’’ no lugar do ator Danton Mello. Para Cláudio, não foi tão difícil exercer a faceta de apresentador. Principalmente porque ele já acompanhava o programa antes mesmo de integrá-lo. ‘‘Sempre fui uma pessoa que defendi a preservação da natureza’’, garante.
Outro projeto do ator é fazer novos cursos de interpretação. Ele também planeja montar um espetáculo teatral até o final do ano. ‘‘Só não retomo estas atividades agora por causa da novela’’, justifica. Com contrato com a emissora até 2001, ele diz que não pode se dar ao luxo de escolher trabalhos como fazem os atores veteranos e mais consagrados da emissora. ‘‘Como estou aprendendo ainda, não posso reclamar dos personagens que me oferecem. Tenho de aproveitar as oportunidades’’, reconhece.

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