DivulgaçãoJ.Quest: show ‘‘pra cima’’ com abordagem da black music setentistaO J.Quest vem ou não vem? Vai ou não vai ter o show? Até ontem, o diz-que-me-diz corria solto sem que ninguém pudesse confirmar - ou negar - a apresentação do quinteto mineiro na cidade. As dúvidas começaram há duas semanas, quando a banda cancelou os shows que faria no nordeste devido a morte por afogamento de dois companheiros de equipe - um músico de apoio e um técnico de som. Depois, as nuvens cinzentas baixaram por aqui com os problemas de acústica do Cinema Café (local do show), cujo ‘‘vazamento de som’’ no último fim de semana levou a vizinhança a prestar queixas na polícia.
Ouvido pela Folha, o gerente da casa assegurou que o problema estaria resolvido até a hora do show. Da parte da banda, tudo ok. Recuperados emocionalmente, os rapazes prometem em Londrina o mesmo show ‘‘pra cima’’ que vêm apresentando desde o lançamento de seu primeiro álbum pela Sony Music, há pouco mais de um ano.
Retrô O disco, aliás, está roçando a marca de 100 mil cópias vendidas. ‘‘Estamos próximos de bater o disco de ouro. Mas para chegar onde chegamos, foi um suadouro. Não tivemos uma grande execução em rádio ou TV. Nosso sucesso foi batalhado na estrada, com os shows’’ - disse, por telefone, o guitarrista Marco Túlio.
Segundo ele, a agenda de apresentações da banda está lotada até o carnaval. Chegaram a fazer 20 shows por mês. Reduziram para dez no mês passado. ‘‘A gente queria dar um tempo para começar a compor’’ - conta. Completada por Rogério Flausino (vocal), Márcio Budelin (teclados), P.J. (baixista) e Paulinho Fonseca (bateria), a banda conquistou também a crítica com sua peculiar abordagem da black music setentista.
Por ter recuperado referências que marcaram artistas cariocas na época - caso de Tim Maia, Hyldon, Toni Tornado e Frenéticas -, o J.Quest chegou a ser confudido como um grupo do Rio. Marco Túlio lembra ainda que houve quem os filiasse enganosamente a uma estética retrô.
Influências ‘‘As pessoas falaram inclusive de nosso visual, que seriam roupas dos anos 70. Mas a gente não compra roupas só em brechó. A gente usa o que acha legal, seja uma camisa comprada no shopping ou uma bota numa loja country’’ - explica.
Descartando a existência de um suposto boom de bandas mineiras, tema de recentes reportagens em revistas e jornais, ele acha que Minas não está mais e nem menos servida do que outra regiões do país. ‘‘Acho que as bandas de Belo Horizonte estão chamando atenção porque estiveram ausentes nos anos 80. Talvez seja isso, porque vejo cenas musicais fortes acontecendo também na Bahia e em Pernambuco’’.
Sobre o próximo disco, o guitarrista anuncia um trabalho mais identificado com a música brasileira, sem abandonar o soul e o funk. ‘‘Acho que isso é invevitável. Quando você roda pelo país tocando num sábado em Porto Alegre e numa segunda em Belém do Pará, não dá para escapar das influências do que você ouve nesses vários lugares’’.
Ainda em fase de preparação de repertório, o disco está previsto para ser lançado entre abril e junho do próximo ano. Até lá, a banda lança um single da faixa ‘‘My Brother’’, incluindo uma remixagem feita pelo ganhador da promoção ‘‘DJ MIX’’, aberta a participantes de todo o país.

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