O Grupo Teatr Cogitatur desembarcou no Brasil trazendo na bagagem a herança do vigoroso teatro polonês e o espetáculo gestual ‘‘Femina’’, que foi apresentado domingo e segunda-feira nas quadras de esporte de uma escola da cidade. Com o propósito de trilhar os caminhos do encantamento visual, ‘‘Femina’’ deixou a sensação de frustração no público. Quem assistiu à apresentação desabonado de informações sobre a proposta do grupo polonês viu apenas uma sequência de cenas dramáticas e desconexas.
A idéia de contar a trajetória de uma mulher desde seu nascimento até sua morte ficou restrita a poucos entendedores. ‘‘Femina’’ não ultrapassou os limites do círculo xamânico em que a peça foi apresentada. No caso, era o público quem assumia o papel de xamã, na tentativa de adivinhar e costurar na imaginação a colagem de imagens.
A personagem-título, ao sair do útero plastificado, inicia a caminhada pelo universo feminino. A heroína se apresenta como arquétipo de uma existência, caminha sobre as dificuldades, ama, se casa, experimenta a solidão e se depara com a morte. Ao traçar o tempo de tensão entre nascimento e morte, renunciando quase que totalmente à voz em função da imagem, ‘‘Femina’’ se mostrou uma colagem de sentimentos com imagens de efeito, que não deixaram resquícios.
Todo ritualizado, a trajetória da mulher se mostrou sentimental, mas fria e desesperançada. O Teatr Cogitatur não compactuou com o melodramático e fez um espetáculo árido, mesmo na cena em que um casal se desnuda embaixo do chuveiro. Contribuiu para isso um elenco solene em excesso na encenação. O grupo polonês e seu teatro gestual trouxe uma linguagem dos sonhos que não se mostrou provocativa.
A narrativa fragmentada se estabelece na proposta de expansão das imagens, com fórmulas conhecidas, como assombrar a mulher com seres agigantados por pernas-de-pau e caveiras simbolizando a morte. A estética do efeitos, na maior parte do espetáculo, ficou confinada no próprio efeito, descartando outras possibilidades cênicas do teatro polonês, que o público londrinense não conheceu desta vez.

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