A temática da peça ‘‘Una de Cal Y Una de Arena’’, do grupo porto-riquenho Agua de Sol Y Sereno, se confunde com a própria história do espetáculo. A peça estreou há cinco anos e aborda a transformação social da Ilha do Caribe. E assim como a realidade da ilha caribenha se transforma, influenciada pelo domínio norte-americano, a peça também passa por mudanças a cada apresentação. Roteiro e texto é criação coletiva do grupo, o que confere ao espetáculo uma característica constante de conversão. ‘‘Una de Cal Y Una de Arena’’ pode ser conferida hoje e amanhã, no Filo.
Para contar a história de uma personagem que busca uma comunidade utópica, o grupo vale-se de elementos cênicos alternativos. Pernas-de-pau e objetos reciclados dão suporte às coreografias do espetáculo, numa alusão à relação entre operários e patrões. Em cena, blocos de concreto, rodas de trator e ferramentas representam a máquina do tempo. ‘‘A idéia é retratar como as construções afetam a realidade do ser humano’’, esclarece o diretor Pedro Adorno.
Esta é a primeira vez que o grupo vem ao Brasil, mas eles acumulam apresentações em dezenas de países e fundamentam os seus espetáculos nas expressões populares caribenhas. Utilizam o teatro como instrumento de denúncia social, temática das suas montagens. Em 1993, quando o grupo surgiu na ilha caribenha, encenaram ‘‘Tu-Cutun-Tún’’, onde exploravam as tradições culturais do Caribe. Em 1998 montaram ‘‘Pepín y Rosa’’, que colocavam em questão o sistema educacional, em 1999 criticaram o consumismo em ‘‘El adiestramiento’’. No início deste ano, adicionaram ao repertório, o espetáculo ‘‘La descalza agonia’’. Mas optaram por trazer ao Filo, a peça ‘‘Una de Cal...’’.
O diretor do espetáculo garante que a temática da peça é universal e por isso pode ser compreendida por todos. O espetáculo já foi apresentado em penitenciárias, favelas e grupos em situações de risco. ‘‘Nosso objetivo é a aproximação com o público’’, revela. Depois do Filo, o grupo volta para Porto Rico, onde continua a turnê do espetáculo.

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