Um espetáculo baseado em cheiros
Um espetáculo baseado em cheiros
Josue de CarvalhoJerzy Zon, diretor do KTO: símbolos marcam o espetáculoA idéia de montar um espetáculo com as lembranças da infância ocorreu para o produtor e diretor Jerzy Zon há alguns anos. Suas próprias recordações estimularam este trabalho. Com 46 anos, acho que todo adulto pára e olha para trás.
Jerzy conta que procurou autores que escreveram sobre seus passados. Encontrou alguns poloneses e vários latino-americanos. Para ajudá-lo nas próprias lembranças, Jerzy pediu ajuda a um amigo. Depois de alguns meses ele me trouxe várias páginas com anotações. Numa delas, em cima, um título me fascinou. Era The Fragrance of Time. Naquele momento decidi o nome da peça.
Nasci numa pequena cidade chamada Kamienica no Sul da Polônia. Meus pais eram professores. Tenho recordações simples de quando minha mãe lavava o chão de casa e deixava um cheiro delicioso no ar. Minha mãe diz que não era nada demais, no entanto, me marcou muito, conta.
Esmiuçando a memória, Jerzy lembra também da fascinação que o cheiro de pão saindo do forno exercia em sua imaginação. Essas são as fragrâncias do tempo. Que sempre são enormes na nossa mente em contraste com tudo muito pequeno na vida adulta.
O menino da peça descobre o mundo, perturba-se com os amigos, com o monge (simbolizando o mundo interior), com os pais e professores. Ele sonha. Vê guerras, mulheres. Os colegas fazem concurso de quem faz o xixi mais longe. Ele faz bem pertinho. Todos cantam em sala de aula. Ele não consegue.
Entre os símbolos usados na peça estão dez mulheres vestidas de pássaro. Mascaradas, elas o perseguem com suas asas a cada seis minutos. Uma gaiola gigante representa sua segurança e seus medos. Alguns trechos são tristes, chegam a ser grotescos, outros são nostálgicos. As imagens viajam, percorrem, vasculham, tocam e engrandessem. São reconhecidas pela nossa imaginação e sentimentos.(E.M.C.)





