Um especialista em Brasil
Jorge Couto, 47 anos, é um historiador respeitadíssimo, com um currículo invejável: presidente do Instituto Camões, professor da Universidade Lisboa, membro do conselho de redação de diversas revistas e representante do Ministério da Cultura na Comissão Mista Luso-Brasileira para as comemorações do 5º Centenário do descobrimento do Brasil. Sua especialidade: História do Brasil. Na Bienal, está lançando seu novo livro A Construção do Brasil, que aborda temas polêmicos da história brasileira.
O livro traz propostas inovadoras. É o primeiro livro português a ter uma edição adaptada à língua falada no Brasil. Ou seja, não é bem uma tradução mas não é a língua portuguesa corrente em Portugal.
Além disto, em vez de basear a História do Brasil a partir da chegada de Cabral, Couto procurou mostrar o que havia antes da armada portuguesa aportar em plagas tupiniquins. Neste trabalho, ele destaca as sociedades indígenas pré-cabralinas, analisando sua estrutura social, organização política e sistema de crenças.
O povo brasileiro é resultado de diversos pontos de cruzamentos. O processo de cruzamento entre portugueses e tupiniquins, que tinham uma cultura milenar, franceses e tamoios, e mais tarde os africanos. Isto resulta no que o Brasil é hoje - garante.
Em seu livro, Couto também defende a tese de que a chegada dos portugueses ao Brasil não foi por acaso, resultando, ao contrário, de uma intenção clara de Pedro Álvares Cabral, seguindo ordens do rei D. Manuel I. A descoberta do Brasil resulta do desentendimento entre Portugal e Castela - afirma.(T.E.)





