Jackeline Seglin
De Londrina
O ano é 1919. O clima de disputa pelo poder no Estado de Goiás se acirra entre grandes fazendeiros do Sul, que comandam o governo, e coronéis do Norte. A questão política é o pano de fundo do longa-metragem nacional ‘‘O Tronco’’, um épico dramático com influência dos clássicos de faroeste e aventura, que será exibido a partir de hoje em Londrina.
A avant-premiere acontece às 21h15, no Cine Catuaí 2 – somente para convidados – com a presença do diretor João Batista de Andrade, da produtora Assunção Hernandes e do cantor e compositor Carlos Careqa, que também integra o elenco do filme. ‘‘O Tronco’’ entra em cartaz amanhã no Catuaí, em sala e horários que ainda serão definidos. O evento faz parte do projeto ‘‘Sessão Brasil’’, idealizado pelo jornalista Caio Julio Cesaro. O projeto também prevê um debate para amanhã, às 10 horas, na sala de Audiovisual do Centro de Educação, Comunicação e Artes (Ceca) da Universidade Estadual de Londrina.
Baseado no romance do escritor goiano Bernardo Élis, ‘‘O Tronco’’ foi filmado nas cidades de Pirenópolis e Goiás. A ação tem como fio condutor a guerra entre coronéis que participam do mesmo governo: o deputado nortista Arthur Melo (Henrique Rovira), filho do coronel Pedro Melo (Rolando Boldrin), se desentende com a cúpula governista e acaba perseguido pelo governo, que era dominado pelos coronéis do Sul.
Para combater o domínio absoluto exercido pela família do patriarca Melo, o Governo envia um homem de confiança, o coletor de impostos Vicente Lemos (Ângelo Antônio), que sonha em exercer sua autoridade e levar os poderosos – dos quais é parente – a aceitar uma sociedade justa. Vicente organiza uma coletoria, que logo é incendiada. O governo manda para a região uma tropa de soldados comandada pelo carreirista Juiz Carvalho (Antônio Fagundes), que é recebida à bala pelos jagunços, cangaceiros e camponeses dos coronéis nortistas. Começa então a guerra. Quando o juiz Carvalho desiste da luta é o Tenente Catulino (Chico Diaz) quem tem a responsabilidade de levar a missão até o fim.
Em meio aos conflitos, a história é permeada pelo romance proibido entre Vicente Lemos e Anastácia (Letícia Sabatella), sua prima e primeira namorada – filha dos poderosos parentes, inimigos do governo que Vicente representa.
O título ‘‘O Tronco’’ se refere ao instrumento de tortura utilizado nos tempos da escravidão e que continuava a servir, em 1919, como arma nas cadeias do interior goiano para a punição de adversários ou desafetos dos coronéis. No filme, os soldados – apavorados com os ataques dos jagunços – prendem os familiares dos coronéis num velho tronco, ameaçando matá-los caso os capangas não se entreguem.
O cineasta mineiro João Batista de Andrade conheceu a obra de Bernardo Élis na década de 60 e se apaixonou pela história de ‘‘O Tronco’’ por ter muito a ver com sua infância no Triângulo Mineiro. Em 69, conheceu o escritor e pediu autorização para roteirizar o livro, que somente agora foi para as telas.
Andrade construiu, em 36 anos de carreira, uma filmografia que inclui 11 longas-metragens e dezenas de documentários para cinema e televisão. Seu primeiro filme solo foi o documentário ‘‘Liberdade de Imprensa’’ (1966). Entre as demais produções de Andrade destacam-se ‘‘O Homem que Virou Suco’’ (1981), ‘‘País dos Tenentes’’ (1986) e ‘‘O Cego Que Gritava Luz’’ (1997).
No debate de amanhã, o diretor vai falar mais sobre o filme, o cinema nacional e demais assuntos levantados pela comunidade universitária.
Sessão Brasil: Filme ‘‘O Tronco’’, adaptação do romance homônimo de Bernardo Élis. Avant-premiere: hoje, às 21h15, no Cine Catuaí 2. Em cartaz, a partir de amanhã, em sala e horários a serem definidos pela gerência dos Cines Catuaí. Roteiro e direção: João Batista de Andrade. Elenco: Ângelo Antônio, Letícia Sabatella, Antônio Fagundes, Rolando Boldrin, Chico Diaz, Cida Moreira, Mauri de Castro, Carlos Careqa, entre outros. Produção: Assunção Hernandes. Direção de fotografia: Jacques Cheuiche. Direção de Arte e Cenografia: Vinícius Andrade. Figurinos: Moacir Gramacho. Música: Tavinho Moura. Debate: amanhã, às 10 horas, na sala de audiovisual do Ceca/UEL. Patrocínio: Lei Municipal de Incentivo à Cultura e Banestado. Apoio: UEL e Cines Catuaí.

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